sábado, 30 de janeiro de 2010

O olhar da providência de Deus


"Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados" (Mt 10.29—30).

Aprendamos a ver e a reconhecer a mão de Deus em tudo o que temos e em tudo com que nos deparamos. Convicção tão profunda e permanente acerca do Altíssimo, que ordena e governa absolutamente tudo quanto nos diz respeito, tal qual a luz, esparge brilho e beleza sobre todas as coisas ao nosso redor! Considerar toda consolação da vida como resultado e prova da mercê de Deus para conosco, como a pedra filosofal da fábula, converteria todos os nossos bens em ouro e imporia às coisas um valor que o olho comum talvez julgasse insignificante.

O olhar da providência divina está atento a cada pardal que voeja pela campina. Não podemos chamar apropriadamente de pequena a toda circunstância da nossa vida, já que as circunstâncias, por mais insignificantes que possam parecer, muitas vezes dão origem a coisas que vêm a ser da maior importância. Por outro lado — vislumbrar a sabedoria e a bondade do nosso Pai celestial, através da mais negra nuvem de tribulações e aflições; ver todas as provações que nos são designadas, segundo o número, peso e medida delas; nada nos cabendo por acaso; nada sem razão de ser; nada sem arrimo; nada sem proveito divinamente designado — que grande amparo é isso para a alma!

Elimine-se a verdade da providência divina e o homem será o objeto mais desamparado, impossibilitado e miserável do mundo! Ficaria prostrado por tudo quanto não tem e tremente por tudo quanto tem! Sofreria igualmente pela opressão daquilo que de fato acontece, e assombrado pelo que talvez aconteça! Estaria sujeito a milhares de perigos ignorados, mas incapaz de proteger-se do mais óbvio deles!

Aprendamos o segredo de estar contentes em toda e qualquer situação: “porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes”! [Mt 6.8]. “Do Senhor é a terra e a sua plenitude” [1Co 10.26] e a sua bondade é tão imensa quanto o seu poder.

Em Cristo, Deus já nos deu mais que dezenas de milhares de mundos!

Você é pobre? Contente-se com a deliberação do Senhor. Para ele é tão fácil lhe dar um grande patrimônio quanto lhe suprir do pão que você come, ou de preservar a respiração nas suas narinas. Ele vê que a pobreza é o melhor para você, vê que a prosperidade pode causar sua ruína! Por isso deu-lhe a honra de ser, a esse respeito, conforme o seu Senhor, que não tinha na Terra “onde reclinar a cabeça”!


Fonte: GraceGems.org
Autor: John Newton (1725—1807)
Tradutor: Marcos Vasconcelos

sábado, 23 de janeiro de 2010

O temor de Deus

O temor de Deus é uma graça precursora: é a primeira semente que Deus planta no coração. Embora o crente não saiba quase nada da fé e, talvez, nada da segurança da salvação, ele não se atreve a negar, mas teme a Deus. Deus é tão grande que ele teme ofendê-lo e tão bom que teme perdê-lo. "Tu, porém, teme a Deus" [Ec 5.7].

O temor que o cristão sente não é servil, mas filial. Há uma grande diferença entre temer a Deus e ter medo de Deus. O piedoso teme a Deus, assim como um filho dedicado e amoroso teme ao pai; mas os ímpios têm medo de Deus, como o prisioneiro, do seu juiz.

Temor e amor seguem melhor quando combinados. O amor é a vela que impulsiona o mover da alma; o temor é o lastro que a estabiliza na religião.

O temor de Deus combina-se com a fé: "Pela fé, Noé... temeu" [Hb 11.7, ARC]. A fé mantém o coração alegre, conserva-o sereno, livra-o do desespero, guarda-o da presunção.

O temor de Deus combina-se com a prudência. Quem teme a Deus tem olhos de serpente e mentalidade de pomba, antevendo e evitando as rochas sobre as quais os outros se espedaçam. O temor de Deus não torna o crente covarde, mas o faz cauteloso. "O prudente vê o mal e esconde-se" [Pv 22.3].

O temor de Deus é a segurança do crente; nada pode feri-lo verdadeiramente. Roubem-lhe o dinheiro; ele leva consigo um tesouro do qual não pode ser espoliado. "O temor do SENHOR será o teu tesouro" [Is 33.6]. Prendam-no com grilhões; mas ele é livre. Matem seu corpo; ele ressuscitará. Aquele que usa o peitoral do temor de Deus, pode ser atingido, mas não traspassado.

O temor de Deus combina-se com a esperança. "Os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia" [Sl 33.18]. O temor está para a esperança, assim como o azeite está para a lâmpada: ele a mantém acesa. Quanto mais tememos a justiça de Deus, mais esperança temos na sua misericórdia.

A fé está de sentinela na alma, sempre na torre de vigia: o temor causa prudência. Quem anda em temor, caminha com cautela. A fé induz à oração e a oração suscita o socorro do céu.

O temor do Senhor é um grande purificador: "O temor do SENHOR é límpido" [Sl 19.9]. É inerentemente puro e de ação eficaz. O coração é o "santuário de Deus", e o temor santo varre e purifica esse templo para que não seja profanado.

O temor de Deus desperta o júbilo espiritual: estrela da manhã que prenuncia a luz solar da consolação. Caminhando-se no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo, Deus mistura alegria e temor, para que o temor não seja tirânico.

O temor de Deus é um antídoto contra a apostasia: "porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim" [Jr 32.40]: Amá-los-ei tanto que não me apartarei deles; temer-me-ão de tal modo que não se apartarão de mim.

O temor de Deus induz à obediência. Lutero disse: "prefiro obedecer a Deus a operar milagres". Tratando cruelmente um cristão, certo pagão perguntou-lhe com escárnio que grande milagre já fizera o seu Mestre, Jesus Cristo. O cristão respondeu-lhe: "Este: o de eu poder lhe perdoar, apesar de você me tratar assim".

O temor de Deus adoça a porção escassa: "Melhor é o pouco, havendo o temor do SENHOR" [Pv 15.16], porque é adoçado com o amor de Deus e é garantia de mais: o pouco de azeite na botija é o penhor da alegria e da bem-aventurança que a alma desfrutará no céu. As migalhas caídas que couberam a Lázaro eram mais doces do que o banquete ao homem rico. Um punhado de comida, com a bênção de Deus, é melhor do que todas as riquezas não santificadas.

Amor sincero e santo temor andam de mãos dadas; o temor procede do amor para que o favor de Deus não se perca por causa do pecado.



Fonte: "Fear of God", Puritan Gems (1850; pp. 51-11)
Autor: Thomas Watson (c. 1620—1686)
Tradutor: Marcos Vasconcelos

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Glória Começa Aqui

no mesmo ano comeram dos frutos da terra de Canaã”
Josué 5.12


A fatigante peregrinação de Israel havia terminado totalmente e o descanso prometido fora alcançado. Acabaram-se as mudanças de acampamento, as serpentes abrasadoras, os amalequitas ferozes e o deserto medonho: chegaram à terra que manava leite e mel e comeram do fruto da terra. Talvez este ano, amado leitor cristão, seja esse o seu e o meu caso. A expectativa é jubilosa, e se a fé estiver em franco exercício, produzirá deleite imaculado. Estar com Jesus no repouso que resta para o povo de Deus é verdadeiramente uma esperança animadora e antecipar essa glória para tão breve é dupla bem-aventurança. A incredulidade estremece diante do Jordão, que ainda corre entre nós e a terra formosa, mas descansemos na certeza de que já provamos mais males do que o pior da morte pode nos causar. Expulsemos toda cogitação de medo e alegremo-nos com grande e efusivo regozijo, na esperança de que este ano começaremos a estar “para sempre com o Senhor”.

Este ano, parte da multidão permanecerá na terra para servir ao seu Senhor. Se esse for o nosso quinhão, não há razão por que o texto de ano novo não seja ainda verdadeiro: “Nós, porém, que cremos, entramos no descanso”. O Espírito Santo é o penhor da nossa herança; ele nos dá a “glória que começou cá embaixo”.* Na glória, eles estão seguros, e nós somos igualmente preservados em Cristo Jesus; lá eles triunfam sobre os seus inimigos, e nós também alcançamos vitória. Os espíritos celestiais gozam de comunhão como o seu Senhor, e isso não nos é negado; eles descansam no seu amor, e nele temos paz perfeita; eles entoam-lhe louvores, e desfrutamos também do privilégio de bendizê-lo. Este ano colheremos frutos celestiais nas regiões terrenas, onde a fé e a esperança têm tornado o deserto semelhante ao jardim do Senhor. Os homens se alimentaram de fato da comida dos anjos outrora, e por que já não a comem? Ó, pela graça alimentar-se de Jesus e assim comer do fruto da terra de Canaã este ano!

Fonte: Morning and Evening: Daily Readings (p.24)
Autor: Charles Haddon Spurgeon
Tradutor: Marcos Vasconcelos



* Citação do hino Maching to Zion [Marchando para Sião] (c. 1707, letra de Isaac Watts e música de Robert Lowry) cujo refrão dizia: "The men of grace have found,/ Glory begun below./ Celestial fruits on earthly ground/ From faith and hope may grow.", i.e, "Os homens de graça descobrem,/ Que a glória começou cá embaixo./ Que frutos celestiais nas regiões terrenas/ Da fé e da esperança podem brotar".

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pecadores crocodilos

O incrédulo nunca deixa o pecado, sem que o pecado o deixe primeiro. Se a morte não pusesse termo ao seu pecado, ele jamais deixaria de pecar.

Pode-se ilustrar isso com uma similitude: alguns jogadores decidem jogar a noite inteira, mas a candeia deles, por acidente ou inesperadamente, apaga-se, é apagada ou se consome. Sem luz, são obrigados a parar de jogar e a irem para a cama no escuro; mas se a candeia durasse a noite toda, eles jogariam por todo esse tempo.

Com respeito ao pecado, este é o caso de todo pecador: se a morte não apagasse a candeia da vida, o pecador continuaria pecando. Se ele vivesse para sempre, pecaria para sempre. Portanto, é justo da parte de Deus puni-lo para sempre nos tormentos infernais.

Todo pecador impenitente pecaria a eternidade inteira, se vivesse todos os dias dela.

Li sobre o crocodilo, que não há limite para o seu tamanho; que sempre cresce ficando cada vez maior; que, enquanto vive, nunca chega a uma dimensão definitiva de monstruosidade.

Semelhantemente, todo pecador contumaz, se deixado por conta própria, seria um monstro, piorando perpetuamente cada vez mais.

Autor: Thomas Brooks (1608-1680)
Tradutor: Marcos Vasconcelos

Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração - Gn 6.5

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Meditando como as abelhas


Lembre-se que não é uma leitura rápida, mas a meditação séria nas verdades santas e celestiais que as tornam doces e proveitosas para a alma.

A abelha não colhe o mel apenas tocando na flor, mas tira-lhe o dulçor permanecendo algum tempo sobre ela.


Não é quem lê mais, mas quem medita mais, que mostrará ser o cristão mais especial, mais doce, mais sábio e mais forte.



Autor: Thomas Brooks (1608-1680) 
Tradutor: Marcos Vasconcelos
Fonte: GraceGems.com

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Previsão

Tomando emprestada a epígrafe do blog do Rev. Gaspar de Souza, Eis nosso tempo!
Um pouco de Paciência! E te darei ciência de que ainda há o que dizer sobre Deus" (Jó 36.2, paráfrase de Gaspar)
informo que a nossa primeira postagem está programada para 19 de janeiro, terça-feira, se Deus assim permitir. Compromissos profissionais e pessoais têm me impedido de abastecer o blog de imediato.

Vejo vocês na terça!
 

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