sábado, 13 de fevereiro de 2010

Pecado & pecadores

O coração é o viveiro do pecado; é o depósito onde se guardam as armas todas da injustiça; é um inferno em menor escala: o coração é cheio de antipatia por Deus; detesta a graça transformadora.

A moralidade é somente a natureza refinada, o velho Adão numa roupa melhor. Adornar o homem com excelências morais é o mesmo que embelezar um defunto com uma guirlanda de flores: civilidade não é a graça, embora seja uma boa latada para se cultivar a videira da graça.

O pecado não é só deserção, é também conspurcação; ele está para a alma, como a oxidação está para o ouro, como a nódoa para a beleza; torna a alma vermelha de culpa e preta de imundície: o pecado maculou a imagem de Deus e manchou o resplendor do alvorecer da alma.

Há mais maldade numa gota de pecado do que num mar de aflição.

O amor ao pecado é como uma pedra na tubulação impedindo o fluxo de água. O amor ao pecado adoça-lhe o sabor e essa doçura engana o coração e arruína a alma. Amar o pecado é pior do que cometê-lo. O amor ao pecado endurece o coração, mantém o diabo na posse dele e congela a alma na impenitência.

O desespero por causa do pecado, tranca a alma na falta de arrependimento. O desespero é irracional: o Senhor usa “de misericórdia para com milhares” [Jr 32.18]. As asas da misericórdia de Deus, como as asas dos querubins, estão estendidas para todo pecador humildemente arrependido. O cetro de ouro da misericórdia está estendido para o pecador que chora, mesmo que tenha sido grande pecador.

O pecador pode viver na bonança, mas morrerá na tempestade: quem vive sem a graça, morre sem a paz.

O pecado deve ser visto com os óculos dos sofrimentos de Cristo; o menor pecado custou o seu sangue. Jesus Cristo ocultou a sua glória e derramou a alma na morte por causa do pecado. A grandeza do pecado deve ser entendida à luz da grandeza dos sofrimentos do salvador e da profundidade dos seus ferimentos.

A longanimidade de Deus em não castigar o pecado não é perdão; quanto mais Deus retarda o golpe, tanto mais pesado cairá quando ele o desferir: os pecados contra a paciência são grandemente abjetos: “Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem” [Gn 6.3].

Quando o homem peca atrevidamente, enche o seu travesseiro de espinhose e a cabeça estará perturbada no momento em que ele morrer.

O pecado lança a alma no lixo e essa perda não tem igual; a alma jamais será recuperada.
Todos pecaram e carecem da glória de Deus - Rm 3.23
Fonte: "Sin -- Sinners", Puritan Gems (1850; pp. 122-25)
Autor: Thomas Watson (c. 1620—1686)
Tradutor: Marcos Vasconcelos
 

  © 2009 Mens Reformata

True Contemplation Blogger Template by M Shodiq Mustika