quarta-feira, 31 de março de 2010

No fim dos tempos, a fé verdadeira será raríssima

Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra? – Lucas 18.8
O Senhor Jesus mostra isso ao fazer pergunta mui solene: “quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?”.

A indagação que temos diante de nós é deveras vexatória e mostra a inutilidade de esperarmos que o mundo inteiro esteja convertido antes que Cristo volte. Mostra a tolice de supormos que todas as pessoas são “boas” e que, apesar de diferirem em questões externas, todas estão certas no coração, e vão todas para o céu. Essas noções não encontram apoio no texto diante de nós.

Afinal, de que adianta ignorar os fatos que estão diante dos nossos olhos: fatos no mundo, fatos nas igrejas, fatos nas congregações a que pertencemos, fatos lado a lado das nossas portas e lares? Onde a fé deve ser vista?

Quantos ao nosso redor creem realmente naquilo que está na Bíblia? Quantos vivem como se cressem que Cristo morreu por eles e que há um juízo, um céu é um inferno? Essas são perguntas dolorosas e graves. Mas exigem e merecem uma resposta.

E nós mesmos, temos fé? Se temos, louvemos a Deus por isso. É uma grande bênção crer na Bíblia inteira. É motivo para ações de graças diárias, se temos consciência dos nossos pecados e confiamos realmente em Jesus. Podemos ser pecadores débeis, frágeis, imperfeitos, insuficientes; mas cremos de fato? Essa é a grande questão. Se crermos, seremos salvos. Quem não crê, porém, não verá a vida e morrerá em seus pecados (João 3.36; 8.24).

Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, org. Eric Russell, Christian Focus Pub., p.100
Tradutor: Marcos Vasconcelos

sábado, 20 de março de 2010

Que diz o nosso Senhor da doutrina da eleição

Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda — João 15.16
O que diz o nosso Senhor da doutrina da eleição. Ele diz: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós [...] para que vades e deis fruto”. A escolha mencionada aqui é evidentemente dupla. Inclui não apenas a eleição para o ofício apostólico, peculiar aos onze, mas também a eleição para a vida eterna, privilégio de todos os crentes. A essa última escolha, que nos diz respeito especialmente, podemos dirigir proveitosamente a nossa atenção.

A eleição para a vida eterna é uma verdade da Escritura que devemos acolher humildemente e crer tacitamente. Por que o Senhor Jesus chama alguns e não chama outros, vivifica a quem quer e deixa outros em seus pecados, são pensamentos profundos que não conseguimos explicar. Saibamos apenas que isso é fato. É indispensável que Deus principie a obra da graça no coração do homem, caso contrário ele jamais será salvo. É indispensável que Cristo primeiro nos escolha e nos chame pelo seu Espírito, caso contrário nunca o escolheremos. Não há dúvida, se não formos salvos não teremos a quem culpar senão a nós mesmos; mas se formos salvos, certamente atribuiremos o princípio da nossa salvação à graça escolhedora de Cristo. Por toda a eternidade, o nosso cântico será o que saiu dos lábios de Jonas: “Ao SENHOR pertence a salvação!” (Jonas 2.9).

A eleição é sempre para a santificação. Aqueles a quem Cristo escolhe da humanidade, escolhe não só para que sejam salvos, mas para que deem fruto, e fruto visível. Qualquer outra eleição além dessa é ilusão mera e inútil, invenção miserável do homem. Foram a fé, a esperança e o amor dos tessalonicenses que levaram São Paulo a dizer: reconheço “que a vossa eleição é de Deus” (1 Tessalonicenses 1.4). Tenhamos a certeza de que onde não se vê o fruto da santificação não há eleição.

Armados de princípios como esses, não temos por que temer a doutrina da eleição. Como toda outra verdade do evangelho, ela é passível de abusos e corrupção. Mas para a mente piedosa, como afirma verdadeiramente o décimo sétimo artigo da igreja da Inglaterra, a eleição é uma doutrina “cheia de consolação doce, agradável e indizível”.

Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, org. Eric Russell, Christian Focus Pub., p.88
Tradutor: Marcos Vasconcelos

segunda-feira, 15 de março de 2010

O Pastor amoroso

Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus — Jo 20.17
Quão gentil e graciosamente o nosso Senhor se refere aos seus discípulos. Ele manda que Maria Madalena leve um recado a eles, aos seus irmãos. Manda dizer-lhes que seu Pai é Pai deles; seu Deus, o Deus deles. Só três dias depois de o abandonarem vergonhosamente, e de fugirem. Apesar disso o Mestre de misericórdia fala como se tudo estivesse perdoado e esquecido. A primeira coisa em que pensa é trazer de volta os errantes, atar-lhes as feridas da consciência, reanimar-lhe a coragem, restaurá-los à condição anterior. Era mesmo um amor que excede o entendimento. Dar crédito a desertores, mostrar confiança a desviados, é o tipo de compaixão que o homem dificilmente entende. Como é verdadeira a palavra de Davi: "Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó" (Sl 103.13-14).

Deixemos a passagem com a reflexão consoladora de que Jesus Cristo nunca muda. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Da maneira como ele tratou seus discípulos na manhã da sua ressurreição, assim também tratará todos quantos creem nele e o amam, até que ele volte novamente. Se nos desviarmos do caminho, ele nos trará de volta. Se cairmos, ele nos reerguerá. Ele jamais violará a sua palavra régia: "Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (Jo 6.37). Os santos na glória entoarão um louvor ao qual juntar-se-á toda voz e coração: Ele "Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades" (Sl 103.10).


Autor: J. C. Ryle (1816-1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, org. Eric Russell, Christian Focus Pub., p.84
Tradutor: Marcos Vasconcelos

sábado, 13 de março de 2010

Meditação – 10 motivos e 10 métodos


Dez motivos para a meditação

Eis dez razões por que você deveria fazer da meditação na Escritura parte da sua vida cristã.

1. A meditação detém o pecado
Se guardarmos a Palavra de Deus no coração ela deterá o pecado na sua raiz (Sl 119.11).

2. A meditação dá início ao bem
A meditação acerca de mandamentos e exortações práticas da Bíblia lembra-nos os nossos deveres cristãos. Aquilo em que pensamos é o que finalmente fazemos (Pv 23.7).

3. A meditação guia e renova a oração
A meditação nos versículos da Escritura abre novos tópicos e áreas para a oração.

4. A meditação faz da falta de sono uma bênção
O salmista transformou a horas “perdidas” da insônia num banquete que sacia a alma (Sl 63.5-6).

5. A meditação não desperdiça tempo
É mais proveitosa do que, digamos, assistir tevê, e fará você mais feliz (Sl 1.1-3).

6. A meditação lhe deixa pronto para testemunhar
Ao enchermos o coração com Deus e sua Palavra estaremos mais bem preparados para responder a todos que pedirem a razão da esperança que há em nós (1Pe 3.15).

7. A meditação auxilia na sua comunhão com outros
Você pode edificar outras pessoas na comunhão com elas, podendo sugerir um versículo para discussão e apresentar algumas ideias a respeito dele.

8. A meditação aumenta a comunhão com Deus
Deus encontra-se com o seu povo mediante as Escrituras. Quem nunca medita na Escritura jamais se encontrará com Deus e caminhará com ele.

9. A meditação revive a vida espiritual
“Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz” (Rm 8.6).

10. A meditação tem ainda muitos precedentes e exemplos bíblicos (Sl 19.14; 39.3; 77.12)
“Seja-lhe agradável a minha meditação; eu me alegrarei no SENHOR” (Sl 104.34)

Dez Métodos de meditação

1. Limite-se
— Para começar a praticar a meditação, separe não mais do que cinco ou dez minutos
— Comece com um único versículo ou parte de um versículo

2. Varie
— Em alguns dias, escolha um versículo teológico; em outros, um texto prático ou devocional

3. Escreva
— Escreva o texto num cartão pequeno
— Coloque-o num lugar onde possa acessá-lo regularmente (carteira ou bolso?)

4. Memorize
— Memorize o texto em blocos de duas ou três palavras
— Diga-o em voz alta
— Defina momentos específicos ao longo do dia para relembrar o versículo (café/refeições)

5. Mantenha o foco
— Identifique as palavras-chave e procure-as num dicionário (português ou Bíblia)
— Substitua algumas palavras por significados paralelos ou mesmo opostos

6. Questione
— Pergunte ao versículo (quem, o quê, onde, quando, por quê, como?)

7. Explique
— Como você explicaria o versículo a uma criança ou a alguém sem formação cristã

8. Ore
— Use o versículo ao orar (adoração, confissão, graças, súplicas)

9. Revise
— Guarde os cartões e todo domingo releia-os e teste sua memória acerca deles

10. Pratique
— Que não seja apenas um exercício intelectual, mas que leve à prática (creia, arrependa-se, tenha esperança, ame, etc.)



Autor: Dr. David Murray
Fonte: Head Heart Hand
Tradutor: Marcos Vasconcelos
Imagem: Afonso Matias

Agradeço ao Dr. Murray pela gentileza em autorizar a tradução e publicação dos textos do seu blog Head Heart Hand.


sexta-feira, 12 de março de 2010

Nova criação em Cristo

Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos – Is 35.5
“Então, se abrirão os olhos dos cegos...”. Os olhos não conseguem ver o que é certo, os ouvidos não são capazes de ouvir e os pés não podem nos guiar no reto caminho até que sejamos unidos a Cristo. Embora os sentidos dos homens sejam aguçadíssimos quando impulsionados por paixões pecaminosas; embora a língua seja eloquente para difamar, mentir e falar toda espécie de tolices; embora as mãos estejam prontas para roubos, extorsões e crueldade; embora os pés sejam ligeiros para causar dano; e, em resumo, embora toda nossa natureza não apenas deseja cometer o mal, mas inclina-se vigorosamente a perpetrá-lo; ainda somos totalmente preguiçosos e estúpidos para fazer o bem e, portanto, cada parte de nós precisa ser recriada pelo poder de Cristo, para que comece a entender, a sentir, a falar e a cumprir corretamente seu ofício, pois “ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo” (1Co 12.3). – Comentários

Autor: João Calvino (1509–1564)
Fonte: Thyne is my heart, Devotional readings from John Calvin, (comp. John H. Kromminga), p. 58.
Tradutor: Marcos Vasconcelos

quarta-feira, 10 de março de 2010

Os dois nomes dados ao nosso Senhor

Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus – Mt 1.25
Os dois nomes dados ao nosso Senhor. Um é “Jesus”; o outro, “Emanuel”. Um descreve o seu ofício; o outro, a sua natureza. Ambos são profundamente interessantes.

O nome Jesus significa “Salvador”; é o mesmo nome de Josué, no Antigo Testamento. É dado ao nosso Senhor “porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” [Mt 1.21]. Este é o seu ofício especial: ele salva-os da culpa do pecado, mediante o lavar expiador do seu sangue; salva-os do domínio do pecado, pondo-lhes no coração o Espírito Santificador; salva-os da presença do pecado, quando os toma deste mundo para que repousem ao seu lado; ele os salvará de todas as consequências do pecado, quando lhes der um corpo glorioso no dia final. Bendito e santo é o povo de Cristo! Não são salvos das aflições, da cruz e das lutas; mas são “salvos do pecado” para sempre. São purificados do pecado pelo sangue de Cristo e são feitos dignos do céu pelo Espírito de Cristo. Isso é salvação! Quem se apega ao pecado ainda não está salvo.

Jesus é um nome assaz animador para os pecadores sobrecarregados de pecado. Aquele que é Rei dos reis e Senhor dos Senhores poderia ter adotado com justiça um título mais altissonante. Mas ele não fez isso. Os dominadores deste mundo sempre se autodenominam de Grandes, Conquistadores, Ousados, Magníficos e coisas semelhantes. O Filho de Deus contenta-se em chamar a si mesmo de “Salvador”. As almas desejosas de salvação devem se aproximar do Pai com ousadia e, mediante Cristo, ter acesso confiante. Mostrar misericórdia é seu ofício é prazer. “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17).

Jesus é um nome peculiarmente doce e precioso para os crentes. Nome que sempre lhes tem feito bem, ao contrário do favor de reis e príncipes que apenas ouvem com desinteresse; ele tem-lhes dado aquilo que o dinheiro não pode comprar: plena paz interior; tem-lhes aliviado a consciência e feito descansar o seu coração cheio de pesar.


Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle (org. Eric Russell, Christian Focus Publication, 2007)
Tradutor: Marcos Vasconcelos

terça-feira, 9 de março de 2010

Irmãos no Senhor

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. - João 13.35
Todos os verdadeiros cristãos são irmãos uns dos outros. Assim como todos os bons ministros são irmãos uns dos outros, todos os bons cristãos permanecem estreitamente ligados e se sentem obrigados ao amor mútuo. Para Deus, eles devem ser santos, consagrados à sua honra e santificados por sua graça, portando a sua imagem com vistas à sua glória; devem ser fieis nos dois casos — como santos para com Deus e irmãos uns dos outros. A fidelidade permeia toda natureza e convivência da vida cristã e é a coroa e a glória de todos os cristãos. Fé, esperança e amor são as três graças principais da vida cristã e matéria apropriada para a oração e a ação de graças. Quanto mais fixamos nossas esperanças na recompensa do mundo por vir, tanto mais livres seremos para fazer o bem com o nosso tesouro terreno, o qual foi acumulado para os cristãos e nenhum inimigo pode privá-los dele. O evangelho é a palavra da verdade, e podemos arriscar seguramente a nossa alma nele. E quem obedece à palavra do evangelho tem de produzir o fruto ao qual o evangelho se submete e conformar a ele seus princípios e vida. O amor mundano vem dos interesses ou costumes semelhantes e o amor carnal, do apetite pelo prazer. A eles liga-se sempre algo corrupto, egoísta e vil. O amor cristão, todavia, vem do Espírito Santo e é cheio de santidade.
 

[Colossenses 1.1-8]


Fonte: Daily Readings (ISBN 9781845505097)
Autor: Matthew Henry (1662–1714)
Tradutor: Marcos Vasconcelos


 

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