sábado, 20 de março de 2010

Que diz o nosso Senhor da doutrina da eleição

Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda — João 15.16
O que diz o nosso Senhor da doutrina da eleição. Ele diz: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós [...] para que vades e deis fruto”. A escolha mencionada aqui é evidentemente dupla. Inclui não apenas a eleição para o ofício apostólico, peculiar aos onze, mas também a eleição para a vida eterna, privilégio de todos os crentes. A essa última escolha, que nos diz respeito especialmente, podemos dirigir proveitosamente a nossa atenção.

A eleição para a vida eterna é uma verdade da Escritura que devemos acolher humildemente e crer tacitamente. Por que o Senhor Jesus chama alguns e não chama outros, vivifica a quem quer e deixa outros em seus pecados, são pensamentos profundos que não conseguimos explicar. Saibamos apenas que isso é fato. É indispensável que Deus principie a obra da graça no coração do homem, caso contrário ele jamais será salvo. É indispensável que Cristo primeiro nos escolha e nos chame pelo seu Espírito, caso contrário nunca o escolheremos. Não há dúvida, se não formos salvos não teremos a quem culpar senão a nós mesmos; mas se formos salvos, certamente atribuiremos o princípio da nossa salvação à graça escolhedora de Cristo. Por toda a eternidade, o nosso cântico será o que saiu dos lábios de Jonas: “Ao SENHOR pertence a salvação!” (Jonas 2.9).

A eleição é sempre para a santificação. Aqueles a quem Cristo escolhe da humanidade, escolhe não só para que sejam salvos, mas para que deem fruto, e fruto visível. Qualquer outra eleição além dessa é ilusão mera e inútil, invenção miserável do homem. Foram a fé, a esperança e o amor dos tessalonicenses que levaram São Paulo a dizer: reconheço “que a vossa eleição é de Deus” (1 Tessalonicenses 1.4). Tenhamos a certeza de que onde não se vê o fruto da santificação não há eleição.

Armados de princípios como esses, não temos por que temer a doutrina da eleição. Como toda outra verdade do evangelho, ela é passível de abusos e corrupção. Mas para a mente piedosa, como afirma verdadeiramente o décimo sétimo artigo da igreja da Inglaterra, a eleição é uma doutrina “cheia de consolação doce, agradável e indizível”.

Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, org. Eric Russell, Christian Focus Pub., p.88
Tradutor: Marcos Vasconcelos
 

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