quinta-feira, 15 de abril de 2010

O mundo nos odiará assim como o odiou

Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia – Jo 15.19
Se você anda no temor de Deus e segue os passos de um Jesus perseguido e desprezado, o mundo odiará e desprezará você assim como o odiou e o desprezou, conforme ele mesmo declara: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim” (Jo 15.18). Foi o próprio Deus quem pôs inimizade entre a semente da mulher e a semente da serpente (Gn 3.15) e se você está do lado de Cristo, nada lhe poupará da manifestação dessa inimizade. Posição social, bens, saber, instrução, amabilidade, as mais profusas obras de liberalidade ou a máxima retidão de conduta não lhe guardarão do desdém dos homens, se você for um sincero seguidor do Senhor Jesus Cristo e puser em prática os princípios que defende. Se aqui você não se conforma a Jesus, na sua imagem sofredora, com toda certeza não se conformará à semelhança glorificada de Jesus no porvir. Mas se ao viver por e para Jesus e sua cruz, seu nome é rejeitado como maligno, use-o por seu emblema, como condecoração adornando o peito de um guerreiro cristão. Se os homens distorcem seus motivos ou atitudes e procuram lhe abater com toda calúnia que a malignidade mais vil pode inventar, não dê ouvidos a ela, se você for inocente. Eles não poderiam achar para você uma coroa melhor e mais honrosa, se de fato a sua vida piedosa provocou a calúnia cruel. Essa coroa, seu Mestre a usou antes de você, quando coroaram a cabeça de Jesus com espinhos. Se você tiver o mesmo sentimento que eu, às vezes se considerará indigno de sofrer perseguição por causa do seu nome.


Autor: J C Philpot (1802-1869)
Fonte: A Puritan at heart

Tradução: Marcos Vasconcelos

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Confissão de pastor

Ó DEUS, 
Reconheço que muitas vezes faço a tua obra sem o teu poder,
    e peco por causa do meu culto morto, frio e cego;
              por causa da minha falta de luz interior, amor e deleite;
              por causa da minha mente, coração e língua movendo-se sem o teu auxílio.
No meu coração vislumbro o pecado ao buscar a aprovação dos outros;
É essa a minha vileza, ter na opinião dos homens a minha regra, ao passo que
    deveria contemplar o bem que tenho feito,
        e dar-te glória,
    considerar o pecado que tenho cometido e lamentar por ele.
A minha fraude diária é pregar, e orar,
    e estimular os sentimentos espirituais dos outros
    para auferir louvores,
    quando a minha regra deveria ser considerar-me diariamente mais vil
        que qualquer outro homem a meus próprios olhos.
Nada obstante tu mostras o teu poder mediante a minha fraqueza,
    de tal modo que quanto mais débil sou, tanto mais apto estou para ser usado,
    pois tu armas uma tenda de graça na minha fraqueza.
Ajuda-me a me regozijar nas minhas fraquezas e te louvar,
    a reconhecer as minhas deficiências diante dos outros
    e não ser desencorajado por eles,
    para que possam enxergar a tua glória mais claramente.
Ensina-me que eu tenho de agir mediante um poder sobrenatural,
    pelo qual posso tentar realizações acima da minha força,
    e suportar males acima do meu poder,
    agindo por Cristo em tudo, e
    tendo o seu poder superior para me socorrer.
Que eu aprenda de Paulo
    cuja presença era fraca,
    cuja fraqueza era grande,
    cuja palavra era desprezível,
           mas tu o consideraste fiel e bendito.
Senhor, deixa que me ampare em ti, assim como ele,
    e reconheça que o meu ministério é teu.
   
Fonte: The Valley of Vision, a collection of puritan prayers & devotions, org. Arthur Bennett, p.187
Tradutor: Marcos Vasconcelos


terça-feira, 13 de abril de 2010

Como náufragos

Quanto aos demais, que se salvassem, uns, em tábuas, e outros, em destroços do navio. E foi assim que todos se salvaram em terra - At 27.44

Depois do naufrágio, Paulo nadou para a praia em cima de tábuas e destroços do navio. Todos naufragamos em Adão e o arrependimento é a única tábua que nos resta desse naufrágio para nadarmos até o céu

 


Autor: Thomas Watson (c. 1620—1686)
Fonte: The Doctrine of Repetance, The Banner of Truth Trust, 1994, p.13
Tradutor: Marcos Vasconcelos


domingo, 11 de abril de 2010

Os benefícios conquistados por Cristo

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna — João 3.16
Como os benefícios conquistados por Cristo podem ser nossos? Basta simplesmente ter fé e confiança em Cristo. Ter fé é o mesmo que crer. Três vezes, nosso Senhor repete essa verdade gloriosa a Nicodemos. Ele anuncia duas vezes que “todo o que nele crê” não perecerá [vv. 15 e 16] e diz uma vez que “Quem crê nele”, no Filho de Deus, “não é condenado” [v. 18]. A fé no Senhor Jesus é a única chave da salvação. Quem a tem, tem a vida; quem não a tem, não tem a vida. Nada mais é necessário além dessa fé para a nossa justificação total; mas nada, exceto essa fé, nos dará o benefício conquistado por Cristo. Podemos jejuar e lamentar por causa do pecado, fazer muitas coisas certas, cumprir mandamentos religiosos, dar tudo o que temos para alimentar os pobres e ainda assim continuaremos sem perdão e perderemos nossa alma. Mas se, como pecadores culpados, buscarmos somente a Cristo e acreditarmos nele, nossos pecados serão perdoados imediatamente e todas as nossas iniquidades serão lançadas fora. Sem fé não há salvação, mas pela fé em Jesus, o pecador, por mais vil que seja, pode ser salvo.

Se quisermos conservar a consciência em paz na nossa religião, devemos cuidar para que o nosso entendimento da fé salvadora seja definido e claro. Não vamos supor que a fé justificadora não passa da mera confiança do pecador em um salvador; a agarrada, de quem está se afogando, na mão estendida em seu socorro. Não vamos misturar qualquer coisa com a fé, em matéria de justificação. Temos de lembrar sempre que, nessa matéria, a fé está totalmente sozinha. O justificado, sem dúvida, será sempre santo. Fé verdadeira vem sempre acompanhada de vida piedosa. Mas o que dá o benefício conquistado por Cristo ao homem não é o seu modo de vida, mas a sua fé. Se quisermos saber se a nossa fé é genuína, será bom perguntarmos a nós mesmos sobre como estamos vivendo. Mas se quisermos saber se somos justificados por Cristo, só há uma pergunta a ser feita. A pergunta é: creio?


Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, org. Eric Russell, Christian Focus Pub., p.106
Tradutor: Marcos Vasconcelos

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Graça e humildade

O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e a humildade precede a honra – Pv 15.33
 A humildade preserva a paz e a ordem em todas as igrejas e sociedades cristãs; a soberba as perturba. Onde Deus concede a graça para ser humilde, ele concederá sabedoria, fé e santidade. Ser humilde e submisso ao nosso Deus reconciliado trará maior conforto à alma do que a gratificação da soberba ou da ambição. Mas deve ser no momento oportuno, não na hora que imaginamos, mas no instante que Deus sabiamente determinou. Ele pode aguardar, nós não? Que dificuldades não superarão a fé inabalável na sua sabedoria, poder e bondade? Então, humilhemo-nos sob a mão de Deus. Lancemos sobre ele toda a ansiedade; as ansiedades pessoais e familiares; as ansiedades quanto ao presente e ao futuro; as ansiedades acerca de nós mesmos, de outros, da igreja. Tais cuidados são fardos molestos e quase sempre pecaminosos — quando procedem da incredulidade e falta de fé, quando torturam e sequestram a mente, inutilizando-nos para os nossos deveres e impedindo que nos deleitemos em servir a Deus. A solução está em lançar nossas ansiedades sobre Deus e deixar tudo à sua disposição sábia e graciosa; crer firmemente que a vontade e o conselho divinos são justos acalma o espírito do homem. Verdade é que os piedosos quase sempre se esquecem disso e se consomem inutilmente. Portanto, submetamos tudo à disposição de Deus. As minas de ouro de todo bem e consolação espirituais, e o próprio Espírito, pertencem a ele. Então, não nos suprirá ele daquilo que necessitamos, se buscarmos sua presença e rendermos à sua sabedoria e amor o cuidado de prover para nós? Tudo o que Satanás intenta é devorar e destruir as almas. Ele está sempre procurando alguém a quem possa enlaçar para a ruína eterna.

[Ler ainda 1Pe 5.5–9]

Fonte: Daily Readings, org. Randall J. Perderson, Chistian Focus pub., 2009, "April 4".
Autor: Matthew Henry (1662–1714)
Tradutor: Marcos Vasconcelos
Imagem: Maria Salvador

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Falemos a verdade uns com os outros

Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros – Ef 4.25
"Por isso, deixando a mentira." Desse artigo de doutrina, ou seja, da retidão do novo homem, fluem todas as exortações piedosas como as torrentes de uma fonte. Pois ainda que fossem ajuntados todos os preceitos referentes à vida, de nada valeriam sem esse princípio. Os filósofos adotam método diferente, mas na doutrina da piedade não há outro caminho para a regularização da vida senão esse. O apóstolo, agora, passa a fazer exortações particulares, tiradas da doutrina geral. Havendo, pela verdade do evangelho, chegado à conclusão de que a integridade e a santidade têm de ser verdadeiras, ele passa, então, a argumentar da declaração geral para o caso específico, que é: cada um deve falar a verdade com o seu próximo. Mentira aqui, refere-se a toda fraude, hipocrisia ou astúcia; e verdade, a todo procedimento honesto. Paulo demanda que a comunicação entre eles seja sempre sincera e reforça a exigência com esta ponderação: "porque somos membros uns dos outros". É impiedade ao extremo, que haja desacordo e engano mútuo entre os membros.


Autor: João Calvino (1509–1564)
Fonte: Comentário sobre Efésios (4.25)
Tradutor: Marcos Vasconcelos
 

  © 2009 Mens Reformata

True Contemplation Blogger Template by M Shodiq Mustika