sábado, 15 de maio de 2010

Arrependimento Verdadeiro


E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito — Zacarias 12.10
Vemos que aos judeus aqui se promete não só uma graça ou favor exterior, mas a luz interior da fé, cujo autor é o Espírito. As palavras “olharão para aquele a quem traspassaram” devem ser tomadas metaforicamente, pois nesse caso o profeta expressa que em algum momento os judeus recobrariam o são juízo. A verdadeira conversão se dá quando os homens reconhecem seriamente que estão em guerra contra Deus e que, enquanto não forem reconciliados com ele, são seus inimigos; a menos que se coloque, por assim dizer, perante o tribunal de Deus, o pecador jamais terá sido alcançado pelo verdadeiro arrependimento. O apóstolo João afirma que essa profecia se cumpriu em Cristo quando o lado do Salvador foi aberto por uma lança (Jo 19.37). Era indispensável que o símbolo fosse visualizado na pessoa de Cristo, para os judeus o reconhecerem como o Deus que falara mediante os profetas. Os judeus, portanto, tinham crucificado o seu Deus ao ofenderem seu Espírito, mas Cristo também, quanto à carne, foi dilacerado por eles. Zacarias promete aos judeus o espírito de arrependimento e fala de um arrependimento específico. Conforme sabemos, o arrependimento começa em tristeza.

Oração

Concede, ó Deus onipotente, que assim como foi do teu agrado nos adotar por teu povo, e de inimigos, ímpios e réprobos, nos fazer filhos de Abraão, para que sejamos tua herança santa, — ó concede que, ao longo de toda a nossa vida, nos arrependamos e assim alcancemos tua misericórdia, manifesta diariamente no evangelho, e da qual nos deste penhor infalível na morte do teu Filho único; para nos tornarmos cada vez mais humildes diante de ti, empenhando-nos em conformar nossa vida ao preceito da tua justiça, sendo abomináveis a nós mesmos; e, ao mesmo tempo, atraídos pela doçura da tua bondade, possamos te invocar e unidos contigo ser confirmados mais e mais na fé, até alcançarmos ao final o descanso bem-aventurado, obtido para nós pelo sangue de Cristo, teu único Filho. Amém. 


Autor: João Calvino (1509-1564)
Fonte: Devotions and prayers of John Calvin, Charles E. Edwars (org.), Old Path Gospel Press, pp. 108-109
Tradutor: Marcos Vasconcelos
 

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