sábado, 31 de julho de 2010

Desejando Deus

É possível saber que o reino da graça está firmado no nosso coração quando desejamos Deus de verdade; pela pulsação desse desejo podemos concluir que há vida.

O verdadeiro
desejo por Deus é sincero. Desejamos Deus por ele mesmo, pelas suas excelências intrínsecas. O aroma dos unguentos da graça de Cristo desperta o desejo das virgens por ele (Ct 1.3). O santo verdadeiro deseja Deus não somente pelo que ele tem, mas pelo que ele é; não só pelas suas recompensas, mas pela sua santidade. Nenhum hipócrita pode desejar Deus assim; pode talvez desejá-lo pelas suas riquezas, mas não pela sua beleza!

O verdadeiro desejo por Deus é insaciável. Não pode ser satisfeito senão por Deus; mesmo que o mundo acumule honras e riquezas, elas não satisfarão. Flores ou música não satisfarão ao sedento. Assim também nada matará a sede da alma senão o sangue de Cristo! Aquele que deseja desfalece, seu coração se quebra de tanto ansiar por Deus (Sl 84.2; 119.20).

O verdadeiro desejo por Deus é ativo. Ele floresce no esforço. "Com minha alma suspiro de noite por ti e, com o meu espírito dentro de mim, eu te procuro diligentemente" (Is 26.9). A alma que deseja da maneira correta clama: "Tenho de ter Cristo! Tenho de ter graça! Tenho de ter o céu, ainda que me apodere dele por esforço!".

O verdadeiro desejo por Deus é supremo. Desejamos Cristo não somente mais do que o mundo, mas mais do que o céu! "Quem mais tenho eu no céu?" (Sl 73.25). Sem Cristo, nem mesmo o céu satisfaria. Cristo é o diamante no anel da glória!

O verdadeiro desejo por Deus é crescente. Um pouco de Deus não satisfará, pois a alma piedosa deseja ainda mais. Uma gota de água não sacia o andarilho sedento. Embora o crente seja grato pela mínima fração de graça, ainda assim não estará satisfeito com a máxima porção dela. Ele sente ainda mais sede de Cristo e do seu Espírito. O santo anela por mais conhecimento, mais santidade, mais da presença de Cristo. O vislumbre de Cristo pela brecha da Lei é doce, mas a alma só deixará de ansiar por ele quando o vir face a face! Ela deseja ter graça aperfeiçoada em glória! Deseja ser totalmente embebida na doçura de Deus. Desejaríamos ser totalmente submersos em Deus e nos banhar para sempre nas águas perfumadas da felicidade, que correm à sua destra!

Certamente, esse desejo por Deus é um bem-aventurado sinal de que o reino da graça chegou ao nosso coração. A batida desse pulso manifesta vida! "Os desejos por Deus, procedem de Deus". Se o ferro, contrariando a sua natureza, move-se para cima, é sinal de que algum ímã o está atraindo. Assim também, se a alma move-se para Deus com desejos sinceros, é sinal de que o ímã do Espírito a está atraindo para Ele!



Autor: Thomas Watson (c. 1620—1686)
Fonte: "The Lord's Prayer", GraceGems.org
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Caminho falso

Não entres na vereda dos perversos, nem sigas pelo caminho dos maus. – Provérbios 14.4
O caminho dos maus pode parecer atraente e a via mais curta para se alcançar algum objetivo, mas é uma vereda maligna e terminará desfavoravelmente. Se você ama a sua alma e o seu Deus, fuja dele. Não basta dizer, mantenha distância dele, mas mantenha grande distância. Nunca ache que está suficientemente longe dele. O caminho dos justos é luz, Cristo é o caminho deles e Cristo é luz. Os santos só serão perfeitos quando chegarem no céu e lá eles brilharão como o sol na sua força. O caminho do pecado é como as trevas. O caminho do perverso é escuridão e, portanto, perigoso. Eles caem no pecado, mas não sabem como escapar dele; caem em tribulações, mas jamais buscam saber por que Deus contende com eles nem o que vai ocorrer no final. É desse caminho que se nos ordena que fujamos. Ouvir atentamente a Palavra de Deus é o sinal positivo de uma obra de graça principiada no coração e um bom meio para fazê-la prosperar. A Palavra de Deus contém a medicação certa para todas as doenças da alma. Guarde o seu coração com toda a diligência. Temos de vigiar com rigor a nossa alma; devemos livrar o coração tanto de causar feridas como de se ferir. Para isso temos uma boa razão: porque dele procedem as fontes da vida [Pv 4.23]. Acima de tudo, devemos buscar do Senhor Jesus essa água da vida, o Espírito santificador, que jorra para a vida eterna [Jo 4.14].

[Ler Provérbios 4.14-27]


Autor: Matthew Henry (1662–1714)
Fonte: Daily Readings, Randall J. Perderson (org.), Chistian Focus Publications, 2009, “August 1”.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Conselho para vencedores


Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão? – Jeremias 12.5
Jeremias teve uma vida dura. Deus o chamou para levar uma mensagem de castigo aos israelitas e por isso eles o odiavam, e até sua própria família conspirou contra ele. O profeta não tinha prazer em proclamar tal mensagem e em se opor a todo mundo, mas era a mensagem que Deus lhe mandou anunciar e que inspirou no profeta pelo seu Espírito.

Por isso, lemos em certo lugar, "Porque, sempre que falo, tenho de gritar e clamar: Violência e destruição! Porque a palavra do SENHOR se me tornou um opróbrio e ludíbrio todo o dia. Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais" (Jeremias 20.8-9). É comum os cristãos citarem o versículo 9 para expressar o intenso desejo que sentem de pregar o evangelho, mas insultamos Jeremias se ignorarmos o contexto original. A sua tarefa era anunciar aos israelitas que Deus enviaria os inimigos deles para matá-los e capturá-los. Isso lhes sobreviria como castigo contra a idolatria e desobediência de Israel. A decisão estava tomada e a sentença não poderia ser evitada. Era tarde demais. Deus disse a Jeremias que ainda que Moisés e Samuel orassem pelo povo ele não atenderia.

Jeremias não queria anunciar uma mensagem tão severa, mas Deus queria que ele o fizesse e pôs uma compulsão espiritual tão intensa nesse vaso de barro que, mesmo quando o profeta decidiu recolher o seu ministério, o fogo ardeu dentro dele até ser impossível aguentar. Mais uma vez ele abriu a boca e "Violência e destruição!" foi o que saiu. Conforme escreveu Paulo, "Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus" (Romanos 11.22). Este é o tipo de Deus a quem servimos: quando pecadores o agravam o suficiente, ele os mata e os lança no inferno, que é a coisa certa a se fazer.

Tiago escreveu que Elias era homem exatamente como nós, mas ele disse isso para que imitássemos o seu exemplo de fé na oração (Tiago 5.17), não para que corrêssemos quando perseguidos por Jezabel. Se você pudesse parar a chuva por três anos e meio, então poderia ter uma desculpa para se esbaldar em lamurias – bem, nem mesmo assim. De qualquer forma, se tudo o que sabe fazer é correr quando alguém lhe persegue, então você não é Elias.

Jeremias também era homem como nós e, sentindo a pressão dos opositores, exasperou-se, e orou: "Justo és, ó SENHOR, quando entro contigo num pleito; contudo, falarei contigo dos teus juízos. Por que prospera o caminho dos perversos, e vivem em paz todos os que procedem perfidamente?" (12.1). Parece haver um consenso na literatura cristã – exceto com relação a alguns escritores pentecostais e carismáticos sempre acusados de terem um entendimento deformado quanto à fé – de que esse tipo de oração de queixa é digno de imitação. Os cristãos são encorajados a desabafar as suas frustrações diante de Deus, ainda que em tom questionador e acusatório. Isso é conselho de perdedores espirituais para perdedores espirituais, que buscam justificar essa atitude apelando aos profetas e aos salmos, mas deixam de mencionar como Deus reagiu a tal conduta.

Por exemplo, Asafe se perturbou com a prosperidade dos ímpios no Salmo 73, mas admitiu que estava errado, que seu pé quase resvalou, e que era néscio e ignorante e como um animal selvagem diante de Deus. Noutras palavras, ele jamais deveria ter falado do modo como falou. Mas se nem mesmo Asafe não teve desculpa, por que você acha que tem uma, já que se beneficia do Salmo 73 e muitos mais? Devemos apelar aos profetas e aos salmos para proibir tal tipo de atitude e de oração. Se você não pode dizer algo reverente a Deus, cale a boca e leia a resposta que ele já deu na Bíblia. Depois, comece a sua oração com arrependimento por causa da sua fé fraca e das suas emoções blasfemas.

Jeremias era um vencedor espiritual. Era esse o seu destino. E Deus não lhe permitiria pensar como perdedor – talvez permitisse a alguém como você. Por isso ele disse ao profeta: "Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?". Noutras palavras, "Se agora você não aguenta e se agora tropeça, como terá êxito quando as coisas ficarem ainda mais difíceis?". Esse é um conselho para vencedores espirituais, para alguém destinado à grandeza crescente no serviço de Deus.

A maioria das nossas tribulações não é nada como as ameaças enfrentadas por Jeremias, e o grau de fé e de paciência que ele demonstrou seriam inconcebíveis para os cristãos de hoje. Assim, para descer ao nível deles, eu diria que "se neste momento você está imobilizado pela angústia porque o seu bichinho de estimação morreu, como conseguirá transmitir ânimo a alguém cujos filhos pereceram num acidente ou como combaterá os ateus e os hereges?". Dá para entender?

O conselho de Deus é severo, quando medido pelos sentimentos delicados e efeminados do cristianismo moderno. Ele nos desafia a renunciarmos a nossa autopiedade e incredulidade pondo dificuldades ainda maiores diante de nós. Ele se recusa a afrouxar as suas demandas por excelência. Isso é contrário à mentalidade perdedora da psicologia anticristã que tem envenenado os ensinamentos de pregadores e conselheiros cristãos. O nosso Senhor Jesus não é um daqueles que diz "Sei, sei, deixa tudo pra lá...", mas alguém que exclama "Até quando vou ter de aguentar vocês? Até quando vou ter de aturar isso? Homens, onde está a fé de vocês?" (ver Mateus 17.17, Lucas 8.25). Ele quer que seus discípulos sejam vencedores espirituais. Ironicamente, hoje, esse modo de ver seria considerado anticristão, desprovido de amor e refinamento.

 

Autor: Vincent Cheung
Fonte: www.vincentcheung.com
Tradutor: Marcos Vasconcelos

terça-feira, 27 de julho de 2010

Tu me amas?

Simão, filho de João, tu me amas? – João 21.16
À primeira vista, "tu me amas?" aparenta ser
uma pergunta simples; e num certo sentido é.
Até mesmo uma criança pode entender o amor
e pode dizer se ama ou não outra pessoa.

Entretanto, "tu me amas?" é, na verdade,
uma pergunta penetrante. Nós podemos
    saber demais,
    e fazer demais,
    e professar demais,
    e falar demais,
    e trabalhar demais,
    e ostentar demais a nossa religiosidade,
e, apesar disso, estar mortos diante de Deus, por falta
de amor, e no final descermos para o abismo.

Amamos mesmo a Cristo?

Essa é a grande pergunta!

Sem isso, nosso cristianismo carece de vida.
Não seremos melhores do que
    bonecos de cera,
    bichos empalhados expostos em museu,
    bronze que soa e címbalo que retine.

Não há vida, onde não há amor por Jesus.

Conhecimento,
ortodoxia,
entendimento acertado,
uso correto de ritos,
vida moral respeitável;
nada disso torna um cristão verdadeiro.


Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: The Gospel of John (Commentary, 1873), GraceGems.org
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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sexta-feira, 23 de julho de 2010

A Maravilhosa onipotência do Senhor Jesus


Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me. Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo. – Mc 1.40-42
O texto bíblico nos informa que o infeliz leproso aproximou-se do Senhor “rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me”, e acrescenta, “Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo!”. A cura ocorreu imediatamente. No mesmo instante a praga mortal deixou o pobre sofredor e ele ficou curado. Só uma palavra, um só toque, e eis diante do nosso Senhor, não um leproso, mas um homem curado e saudável.

Quem é capaz de conceber a imensidão da mudança nos sentimentos desse leproso ao se ver curado? Naquela manhã o sol levantou-se sobre ele, um ser miserável, mais morto do que vivo, cuja estrutura era toda de feridas e podridão, e a própria existência, um fardo. No entardecer, o sol se pôs sobre alguém possuído de esperança e alegria, livre de dores e apto para a convinvência com os seus semelhantes. Certamente, a mudança deve ter sido como da morte para a vida. Deus seja louvado, pois o Salvador com quem nos relacionamos é onipotente! É uma ideia animadora e cheia de consolação que, com Cristo, nada é impossível. Nenhuma enfermidade espiritual está instalada tão profundamente que ele não possa curá-la. Enquanto houver vida, jamais desesperemos da salvação de ninguém. A pior das lepras espirituais ainda pode ser purificada. Não há casos espirituais que sejam piores do que os de Manassés, Saulo e Zaqueu, todavia todos eles foram curados: Jesus os tornou completamente sãos. O principal dos pecadores ainda pode aproximar-se de Deus mediante o sangue e o Espírito de Cristo. Os homens não estão perdidos porque são maus demais para serem salvos, mas porque não se aproximam de Cristo, para que sejam salvos.

Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus
Publications, p. 24.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Soldados de Cristo

Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo – 2Timóteo 2.3
Uma vez que o Filho de Deus nos convocou como seus soldados, devemos, no mínimo, prestar-lhe tanta honra quanto os soldados do mundo prestam aos seus capitães. Como faremos isso? Devemos estar livres de todos os impedimentos nem podemos ficar embaraçados por coisas que podem nos deter, mas precisamos avançar com ousadia e cumprir nosso dever, posto que não pertencemos mais a nós mesmos.

Mas, de modo especial, e antes de tudo, devemos esperar aquilo de que temos ouvido falar, a saber, que a nossa condição é tal que temos de lutar, visto que fomos chamados para ser rebanho de Cristo. Além disso, devemos ter a consciência de que a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra as potestades do ar, contra todas as concupiscências da carne e todas as tentações do mundo. Por isso, devemos estar sempre prontos para o combate.

Ora, uma vez que temos de sofrer muitas aflições, devemos também estar preparados para suportá-las. Além disso, estejamos especialmente cientes de que a nossa demanda é certa e não pode fracassar; não combatemos numa causa perdida. Não somos como os que muito se afligem e se atormentam para conquistar uma coroa de louros e que, quase sempre, se frustram. Porque muitos são os que correm, diz-nos o apóstolo, mas um só leva o prêmio (1Coríntios 9.24). O vencedor despoja todos os outros. Mas quanto a nós, gozamos condição muito melhor, pois estamos muito distantes de impedir ou de despojar uns aos outros do prêmio e da coroa que nos está prometida, para que nos ajudemos mutuamente.

 

[Excerto dos Sermões]

Autor: João Calvino (1509–1564)
Fonte: Thyne is my heart, Devotional readings from John Calvin, (comp. John H. Kromminga), nº 2.
Imagem: Luca Tarlazzi
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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quarta-feira, 21 de julho de 2010

O Pastor das nossas almas

O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará – Salmos 23.1
Porque Deus é o seu pastor, Davi deduz que nada de bom lhe faltará. Reconheçamos o grande cuidado do Senhor pelos crentes, cujo pastor é Deus e por isso podem invocá-lo dessa maneira. Houve um tempo em que o próprio Davi era pastor, mas foi tirado do cuidado das ovelhas e das suas crias (Salmos 78.70-71) e por isso sabia por experiência dos cuidados e das ternas afeições que um bom pastor dispensa ao seu rebanho. Ele lembrava-se do quanto necessitavam de um pastor e de como era bom para elas terem um pastor competente e fiel. Certa ocasião, Davi arriscou a vida para socorrer um cordeiro. Assim, ele exemplifica o cuidado de Deus pelo seu povo. Talvez nosso Salvador tenha se referido a tal fato quando afirmou: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas" (João 10.11). Aquele que é o pastor de Israel, de toda a Igreja em geral, é o pastor de cada crente em particular. O menor deles não está fora do alcance do seu cuidado (Isaías 40.11); Deus os conduz ao seu aprisco, cuida deles, protege-os, provê para eles com cuidado e constância, mais do que é capaz qualquer pastor profissional. Se, para nós, Deus é como um pastor, logo devemos ser como ovelhas: inofensivos, mansos, quietos, silenciosos perante o tosquiador – mais que isso, perante o açougueiro também –, úteis e sociáveis; devemos conhecer a voz do pastor e segui-lo.

Esta é a grande confiança que os crentes têm em Deus: "Se o Senhor é o meu pastor, aquele que me alimenta, posso concluir que nada me faltará daquilo que é realmente bom e necessário a mim".

[Leia Salmos 23]


Autor: Matthew Henry (1662–1714)
Fonte: Daily Readings, Randall J. Perderson (org.), Chistian Focus Publications, 2009, "January, 4th".
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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terça-feira, 20 de julho de 2010

O Cetro de Cristo

(...) acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de equidade é o cetro do seu reino. — Hebreus 1.8
A verdadeira fé (...) considera Cristo e somente ele como seu Senhor (...) Muitos virão a Cristo em busca de entretenimento, mas poucos virão a Cristo para se submeterem ao seu cetro. Alguns vêm em busca da proteção do seu sangue, todavia desdenham a autoridade e o domínio da sua espada; gostam do Cristo sacerdote, não, do Cristo Senhor.

Vou mostrar-lhes brevemente duas coisas: 


(...)

Primeira, os incrédulos não aceitarão Cristo como seu Senhor, pois o coração deles já tem outro senhor (...) O nosso senhor é aquele a quem servimos, e somos seus servos se o obedecermos (...) Basta que os anseios por lucro ou prazer conflitem com Cristo e logo se vê que o coração incrédulo seguirá seu senhor; não dará ouvidos a Cristo, pois prefere o pecado ao senhorio de Jesus. O coração incrédulo, a fim de satisfazer às próprias concupiscências, arrisca-se facilmente a desagradar a Cristo. O coração incrédulo também não consegue escolher Cristo; não suporta tê-lo como Senhor. Por que razão? Porque o domínio de Cristo é santo e celestial; é totalmente contrário a princípios e sentimentos sórdidos, os caminhos de um coração incrédulo.

Segunda, todo crente confessa a Cristo como Senhor, assim como fez Tomé: "Senhor meu e Deus meu!" (João 20.28) (...) por isso (1) a fé curva-se ao cetro de Cristo e, com docilidade, dispõe solicitamente a alma à submissão; (2) além disso, a fé recebe Cristo totalmente e, portanto, para a fé, Cristo é o único Rei e Senhor; (3) e a fé também reconhece que a pessoa toda pertence a Cristo, o seu sangue nos comprou e pôs-nos inteiramente sob seu domínio: "fostes comprados por preço", assim disse o apóstolo (1Coríntios 6.19-20).

Assim também, examine-se agora quanto a isto: quem é o seu senhor?

Se pela fé tem jurado fidelidade a Cristo – apesar de todas as tentações que o assaltam para escravizar seu coração ou aliená-lo do serviço de Cristo, e em meio a todas as opressões, sim, debaixo de todos os maus-tratos, violências e interrupções causadas pelo pecado – então o seu coração clama: Não tenho outro Senhor além de Cristo, a ele obedecerei, honrarei, amarei; a ele pertenço e apesar de tudo detesto os pecados que ainda não consegui derrotar.

Autor: Obadias Sedgwick (1600-1658)
Fonte: Day by Day with the English Puritans, Randall J. Pederson (org.), Hendrickson Publishers, 2004, p. 12.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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sábado, 17 de julho de 2010

A Prova satisfatória


Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. — João 15.5
Os frutos do Espírito são a única prova satisfatória de que somos crentes de verdade.

O discípulo que permanece em Cristo, como o ramo permanece na videira, sempre dará fruto.

Quem sabe o significado da palavra "fruto", não precisa esperar muito por uma resposta. Arrependimento diante de Deus, fé em nosso Senhor Jesus Cristo, santidade de vida e de conduta: essas características são o que o Novo Testamento chama de "fruto". Elas são as marcas distintivas dos ramos vivos da Videira verdadeira. Se faltarem, é inútil dizer que se tem graça e vida espiritual "dormentes". Onde não há frutos não há vida. Quem não tem esses sinais, mesmo vivo, está morto (1Timóteo 5.6).

Não podemos esquecer que a verdadeira graça jamais é inoperante. Ela nunca dormita nem dorme. É falsa a ideia de supormos que somos membros vivos de Cristo se não se vê em nosso caráter e vida o exemplo de Cristo. O "fruto" é a única prova satisfatória da união salvadora entre Cristo e nossa alma. Onde não há fruto do Espírito para ser visto, não há religião vital no coração. O Espírito de vida em Jesus Cristo sempre se dará a conhecer na conduta diária daqueles em que ele habita. O Mestre mesmo é quem declara: "cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto" (Lucas 6.44).

Deus sempre aumentará a santidade dos verdadeiros cristãos, pela maneira como os trata providencialmente. "Todo ramo", está escrito, "que dá fruto [ele] limpa, para que produza mais fruto ainda" [João 15.2]

O significado dessa linguagem é claro e imediato. Da mesma maneira que o vinhateiro poda os ramos da videira frutífera, para fazê-la mais frutífera ainda, assim também Deus purifica e santifica os crentes pelas circunstâncias da vida em que ele os coloca.

É esse o processo pelo qual ele os "purifica" e os faz ainda mais frutíferos.
 

[Para melhor proveito, leia João 15.1–11]

Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus 

Publications, p. 386
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Se o Senhor não edificar a casa

Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela — Salmos 127.1
Ao afirmar que Deus governa o mundo e a vida do homem, o salmista o faz por dois motivos: Primeiro, em todo evento auspicioso que beneficie os homens a ingratidão deles logo se manifesta ao atribuírem-no totalmente a si mesmos; e assim Deus é espoliado da honra que lhe é devida. Salomão, para corrigir erro tão perverso, declara que nada de próspero nos acontece se Deus não abençoar nossas atividades. Segundo, o propósito do sábio era derrubar a tola presunção dos homens que, pondo Deus de lado, não temem empreender nada, seja o que for, confiando exclusivamente nas próprias sabedoria e poder. Despojando-os desse modo daquilo que sem fundamento arrogam a si mesmos, ele os exorta à modéstia e a recorrerem a Deus.

Entretanto, ele não repudia o trabalho, o empreendimento ou o conselho dos homens; pois é virtude digna de louvor cumprir com diligência os deveres de nosso ofício. Não é a vontade de Deus que sejamos como blocos de madeira nem que cruzemos os braços sem fazer nada, mas que ponhamos em prática todos os talentos e vantagens que ele nos concedeu. É verdade que a maior parte de nossos labores decorre da maldição de Deus, mas ainda que os homens tivessem preservado sua condição primitiva, Deus nos teria empregado de algum modo, exatamente como o vemos pôr Adão no Jardim do Éden para o cultivar e o guardar. Salomão, portanto, não condena a vigilância, algo que Deus aprova; nem também o trabalho dos homens, pelo qual
se realizado solicitamente e segundo o mandamento de Deus eles lhe oferecem sacrifício aceitável; mas para que, estando cegos pela presunção, não se apropriem à força daquilo que pertence a Deus, ele os admoesta que estarem ocupados demais em nada lhes aproveitará, se Deus não abençoar seus esforços.

[Excerto do Comentário]

Autor: João Calvino (1509–1564)
Fonte: Thyne is my heart, Devotional readings from John Calvin, (comp. John H. Kromminga), nº 1.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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terça-feira, 13 de julho de 2010

Todo lugar é lugar de orar

Na minha angústia, invoquei o SENHOR, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos — Salmos 18.6
Veja onde foi que Jonas orou: no ventre do peixe. Nenhum lugar é impróprio para a oração. "Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar" [1Tm 2.8]. Onde quer que Deus nos lance, podemos achar um caminho aberto em direção ao céu, exceto por nossa própria indisposição. Os céus são igualmente acessíveis de qualquer parte da terra. Aquele que, pela fé, tem Cristo habitando no seu coração, para todo lugar que for leva consigo o altar que santifica a oferta e é, em si mesmo, um templo vivo. No caso, Jonas estava confinado; o ventre do peixe era a sua prisão, um calabouço apertado e tenebroso. Mas, mesmo lá, ele tinha liberdade para ter acesso a Deus, e manteve comunhão com ele sem impedimento algum. Os homens podem nos impedir de estar em comunhão uns com os outros, mas não podem nos impedir de estar em comunhão com Deus. Jonas estava agora no fundo do mar, mas das profundezas ele clama a Deus, da mesma maneira que Paulo e Silas na cadeia, presos no tronco. A quem Jonas orou: ao Senhor seu Deus. Ele estava fugindo de Deus, mas agora compreende a loucura disso e volta para ele. Pela oração ele se aproxima daquele Deus de quem tinha se apartado, e aplica o coração para se aproximar dele. Na oração, o profeta percebe Iavé não apenas como o Senhor, mas como o seu Deus: o Deus que tem uma aliança com ele, porque, graças a esse Deus, nenhuma transgressão da aliança nos exclui dela. Isso serve estímulo até mesmo aos filhos desviados para que retornem.

[Leia Jonas 2]
Autor: Matthew Henry (1662–1714)Fonte: Daily Readings, Randall J. Perderson (org.), Chistian Focus pub., 2009, "January 14".
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Preciosas promessas

(...) pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo — 2Pedro 1.4
Medite detalhadamente e sempre nas promessas e (...) faça-lhes o mesmo que a Virgem Maria fez com as afirmativas a respeito de Cristo: “Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração” (Lucas 2.19). O boticário não infunde nenhuma virtude às ervas, mas as destila e extrai delas tudo quanto é eficaz e proveitoso. A abelha não incute nenhuma doçura à flor, mas suga pela diligência o mel latente nela. A meditação não transmite nada de valor à promessa, mas lhe extrai a doçura e lhe descobre a beleza, pois, doutro modo, pouco se lhe poderia fazer ou tirar proveito.

Às vezes imagino que o crente ao olhar uma promessa não é diferente daquele que contempla os céus num anoitecer límpido e que num primeiro lance de vista deleita-se ao ver só uma ou duas estrelas despontando e cintilando com dificuldade uma luz débil e evanescente; mas, em seguida, ele ergue de novo a vista e eis que já aumentaram tanto o número como o esplendor delas. Mais tarde, ele olha para o céu outra vez, e aí vê todo o firmamento tomado de canto a canto por uma multidão incontável de estrelas e ricamente salpicado de muitas, muitas, pepitas de ouro.

Assim também quando os cristãos volvem pela primeira vez a mente para as promessas, os vislumbres de luz e de consolação que delas emanam, parecem muitas vezes débeis e imperfeitos raios de luz, incapazes de dissiparem temores ou trevas. Quando novamente se empenham em pensar mais detalhadamente acerca delas, o testemunho e a consolação que elas transmitem à alma são mais claros e mais nítidos. Mas quando o coração e os sentimentos estão totalmente fixos na meditação de uma promessa, oh! E, como a promessa é uma imagem iluminada aos olhos da fé? Como multidões de maravilhas rebentam de todas as suas partes, extasiando e enchendo de deleite a alma do crente? (...) A ruminação e meditação minuciosas de uma única promessa é como uma porção de comida bem mastigada e digerida, a qual distribui mais nutrição e força ao corpo do que grandes quantidades de alimento enfiadas goela abaixo.

Autor: William Spurstowe (c. 1605-1666)
Fonte: Day by Day with the English Puritans, Randall J. Pederson (org.), Hendrickson Publishers, 2004, p. 8.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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domingo, 11 de julho de 2010

A Realidade da encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai — João 1.14
Essas palavras, em seu sentido pleno, significam que o nosso Salvador divino tomou realmente sobre si a natureza humana para salvar os pecadores. Ele se fez homem realmente assim como nós em todas as coisas, exceto no pecado. Assim como nós, ele nasceu de uma mulher, embora concebido miraculosamente. Assim como nós, ele cresceu da infância à adolescência e da adolescência à idade adulta, tanto em saber como em maturidade (Lc 2.52). Assim como nós, ele sentiu fome e sede, comeu, bebeu, dormiu, cansou-se, sentiu dor, chorou, alegrou-se, maravilhou-se, irou-se e compadeceu-se. Quando se fez carne e tomou um corpo, ele orou, leu as Escrituras, sofreu tentações e submeteu a sua vontade humana à vontade de Deus Pai. E, ao final, nesse mesmo corpo, ele sofreu e derramou o seu sangue realmente , morreu realmente, foi sepultado realmente, ressuscitou realmente, e ascendeu ao céu realmente. E, entretanto, durante todo esse tempo ele era Deus e era homem!

A união dessas duas naturezas na pessoa única de Cristo é sem dúvida um dos maiores mistérios da religião cristã. Mistério que precisa ser apresentado com todo o cuidado. É precisamente uma das grandes verdades que não está à disposição da bisbilhotice, mas para ser crida com reverência. Talvez em nenhuma outra parte acharemos declaração mais sábia e judiciosa [acerca disso] do que no segundo artigo da Igreja Anglicana:

"O Filho, que é o Verbo do Pai, gerado eternamente do Pai, verdadeiro e eterno Deus, e de uma substância com o Pai, tomou a natureza humana no ventre da bendita Virgem e da sua substância; de sorte que as duas inteiras e perfeitas naturezas, quer dizer, a Divina e a humana, se reuniram em uma Pessoa, para jamais se separarem, das quais resultou um Cristo único, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem."
Que preciosíssima declaração; é "linguagem sadia e irrepreensível" [Tt 2.8].


Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus Pub., p. 9
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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sábado, 10 de julho de 2010

Tomada de posição. Estamos prontos?

O SENHOR, tenho-o sempre à minha presença; estando ele à minha direita, não serei abalado — Salmos 16.8

Gregório Nazianzeno disse que Atanásio era tanto uma pedra-ímã como um diamante bruto. Pedra-ímã pela ternura da sua disposição; diamante pela invencibilidade da sua resolução. Quando Valente, imperador de Roma, prometeu a Basílio posição superior se ele subscrevesse a heresia ariana, esse pai da igreja lhe respondeu: “Senhor, tais propostas são boas para pegar criancinhas, mas nós, que somos ensinados pelo Espírito, estamos dispostos a suportar mil mortes a permitirmos que uma única sílaba da Escritura seja adulterada”. O justo está pronto para receber a cruz por seu dote e, assim como Inácio, a adornar-se dos sofrimentos por Cristo como de um colar de pérolas. “Nos gloriamos nas próprias tribulações” (Rm 5.3). São Paulo sacudia a sua corrente e se gloriava nela como a mulher que se orgulha das suas joias, disse Crisóstomo. “É perda minha”, afirmou Gordius, o mártir, “se amenizas algo dos meus sofrimentos”. Desse mesmo espírito, heroico e destemido, eram os cristãos primitivos, desprezando nomeações, rindo de encarceramentos, cingindo-se de tormentos como se fossem coroas, cujo amor por Cristo ardia com mais calor do que o fogo, de tal modo que os pagãos exclamavam: “Grande é o Deus dos cristãos!”.

Autor: Thomas Watson (c. 1620—1686)
Fonte: Day by Day with the English Puritans, Randall J. Pederson (org.), Hendrickson Publishers, 2004, p. 197.
Imagem: Cristãos Assassinados na Nigéria (Leia!)

Tradutor: Marcos Vasconcelos
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A História se repete HOJE!
Estamos prontos?
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