segunda-feira, 12 de julho de 2010

Preciosas promessas

(...) pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo — 2Pedro 1.4
Medite detalhadamente e sempre nas promessas e (...) faça-lhes o mesmo que a Virgem Maria fez com as afirmativas a respeito de Cristo: “Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração” (Lucas 2.19). O boticário não infunde nenhuma virtude às ervas, mas as destila e extrai delas tudo quanto é eficaz e proveitoso. A abelha não incute nenhuma doçura à flor, mas suga pela diligência o mel latente nela. A meditação não transmite nada de valor à promessa, mas lhe extrai a doçura e lhe descobre a beleza, pois, doutro modo, pouco se lhe poderia fazer ou tirar proveito.

Às vezes imagino que o crente ao olhar uma promessa não é diferente daquele que contempla os céus num anoitecer límpido e que num primeiro lance de vista deleita-se ao ver só uma ou duas estrelas despontando e cintilando com dificuldade uma luz débil e evanescente; mas, em seguida, ele ergue de novo a vista e eis que já aumentaram tanto o número como o esplendor delas. Mais tarde, ele olha para o céu outra vez, e aí vê todo o firmamento tomado de canto a canto por uma multidão incontável de estrelas e ricamente salpicado de muitas, muitas, pepitas de ouro.

Assim também quando os cristãos volvem pela primeira vez a mente para as promessas, os vislumbres de luz e de consolação que delas emanam, parecem muitas vezes débeis e imperfeitos raios de luz, incapazes de dissiparem temores ou trevas. Quando novamente se empenham em pensar mais detalhadamente acerca delas, o testemunho e a consolação que elas transmitem à alma são mais claros e mais nítidos. Mas quando o coração e os sentimentos estão totalmente fixos na meditação de uma promessa, oh! E, como a promessa é uma imagem iluminada aos olhos da fé? Como multidões de maravilhas rebentam de todas as suas partes, extasiando e enchendo de deleite a alma do crente? (...) A ruminação e meditação minuciosas de uma única promessa é como uma porção de comida bem mastigada e digerida, a qual distribui mais nutrição e força ao corpo do que grandes quantidades de alimento enfiadas goela abaixo.

Autor: William Spurstowe (c. 1605-1666)
Fonte: Day by Day with the English Puritans, Randall J. Pederson (org.), Hendrickson Publishers, 2004, p. 8.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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