sábado, 28 de agosto de 2010

O Amor de Jesus

Ó Pai de Jesus,
Ajuda-me a chegar-me a ti com a mais profunda reverência,
    não com presunção,
        não com temor servil, mas com santa ousadia.
Estás fora do alcance do meu entendimento,
    mas não, do meu amor.
Bem sabes quão supremo é meu amor por ti,
    pois és supremamente adorável, bom, perfeito.

Meu coração se consome ante o amor de Jesus,
    meu irmão, osso dos meus ossos, carne da minha carne,
    esposado comigo, morto em meu lugar, ressurreto para mim;
Ele é meu e eu sou dele;
    o qual tanto foi dado a mim, como dado por mim.
Nunca sou tão meu como quando sou dele,
    nem tão perdido de mim como quando achado nele;
    encontrando, assim, minha verdadeira humanidade.

Mas meu amor é crestado e frívolo, gelo e neve;
    que o seu amor me aqueça,
            alivie meu fardo,
            seja meu paraíso.
Revele-se-me tal amor em todas as suas influências
    de sorte que meu amor por ele seja mais fervente e vívido;
E as águas poderosas do seu amor eterno
    submerjam as rochas de meu pecado e inquietações;
Assim, flutue meu espírito acima dessas questões,
    as quais, caso contrário, teriam naufragado minha vida.

Faz-me frutífero ao viver para esse amor,
    embeleza cada dia mais o meu caráter.
Se houver em mim algum traço do amor peculiar de Cristo,
    trabalhe ele em mim com o seu pincel divinal,
    até que obtenha a imagem completa
    e eu seja convertido na cópia perfeita dele, meu Mestre.

Senhor Jesus, vem para vim;
Espírito Divino, vem sobre mim;
Pai Santo, olha-me com misericórdia, por causa do Bem-amado.


 


Autor: Não informado.
Fonte: The Valley of Vision. Arthur Bennett (org.), The Banner of Truth Trust, 2005, p. 25.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
www.mensreformata.blogspot.com


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O bom exemplo do Maligno

O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar — 1Pedro 5.8
Se Satanás é tão diligente em tentar-nos, deveríamos ser sempre igualmente diligentes em vigiar para impedir as suas tentações. O Sr. Latimer, num dos seus sermões, no qual censura a preguiça do clero, especialmente a dos bispos daqueles dias, propõe-lhes o exemplo dos profetas e dos apóstolos, além do exemplo do próprio Cristo, cuja diligência em pregar deveria estimular àqueles preguiçosos. Mas, disse-lhes, se não quiserem seguir o exemplo dos santos, sigam o de Satanás, que anda sem cessar para cá e para lá na diocese dele. Considerem o seu exemplo em fazer o mal, para que saibam como fazer o bem. Neste ponto, podemos levar em conta o exemplo do Maligno: devemos nos dispor a fazer o bem, do mesmo modo que ele se dispõe a fazer o mal; devemos estar alertas contra ele, assim como ele está contra nós. Se ele se  ocupa em andar pelo mundo a fim de devorar almas, então, aonde andarmos no mundo, seja aqui ou acolá, devemos guardar cuidadosamente a nossa alma e ganhar a alma dos outros.



Autor: Joseph Caryl (1602-1673)
Fonte: Bible Thoughts, Ingram Cobbin (org.), Soli Deo Gloria Publications, 1995 (reimp.)
Tradutor: Marcos Vasconcelos

www.mensreformata.blogspot.com

sábado, 7 de agosto de 2010

A oração louvada pelo nosso Senhor

O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! – Lucas 18.13
Essa oração era em todos os sentidos o oposto exato da oração do fariseu. Lemos que ele estava longe, em pé, e "batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!". O nosso Senhor mesmo apõe nessa breve súplica a chancela da sua aprovação: "Digo-vos que este desceu justificado para sua casa".

A excelência da oração do publicano reside em cinco pontos, cada um deles digno de atenção. Em primeiro lugar, foi um pedido verdadeiro. A oração que consiste só de ações de graça e declarações religiosas, sem nada pedir, é uma oração falha; pode ser adequada a um anjo, não a um pecador. Outro motivo, é que foi uma oração pessoal direta. O publicano não falou de seus semelhantes, mas de si mesmo. Imprecisão e generalidade são os grandes vícios da religião da maioria; trocar "nós", "nosso" e "a nós" por "eu", "meu" e "a mim" é um grande passo na direção do céu. Mais uma razão, é que foi uma oração humilde; uma oração que põe o eu no devido lugar. O publicano confessou sem rodeios que era pecador. Eis o ABC do cristianismo que salva: jamais começaremos a ser bons senão quando conseguirmos dizer que somos maus. Outra razão, é que a misericórdia era o supremo bem desejado e que ele mostrava a fé, embora débil, na misericordiosa aliança de Deus. Misericórdia é a primeira coisa que devemos pedir desde o dia em que começamos a orar. Misericórdia e graça devem ser o objeto das nossas petições diárias diante do trono da graça até o dia em que morrermos. Finalmente, a oração do publicano veio do coração. Ele estava profundamente comovido ao proferi-la, batia no peito como quem sente mais do que é capaz de expressar. Orações assim são o prazer de Deus. Ele não desprezará o coração compungido e contrito (Sl 51.17).


Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus Publications, p. 24.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
www.mensreformata.blogspot.com


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Vale da Visão


SENHOR EXCELSO E SANTO, MANSA E HUMILDEMENTE
trouxeste-me ao vale da visão,
    onde das profundezas em que vivo vejo-te nas alturas;
    acossado pelas montanhas do pecado, contemplo tua glória.
Faz-me aprender pelo paradoxo de que
    a vereda para baixo é o caminho para cima,
    ser humilhado é ser exaltado,
    o coração quebrantado é o coração vigoroso,
    o espírito contrito é o espírito exultante,
    a alma arrependida é a alma vitoriosa,
    não ter nada é possuir tudo,
    levar a cruz é cingir a coroa,
    dar é receber,
    o vale é o lugar da visão.
Senhor, de dia pode-se contemplar as estrelas do mais escuro abismo,
    quão mais profundo for, mais fulgurantes cintilam as tuas estrelas;
Faz-me encontrar a tua luz na minha escuridão,
    a tua vida na minha morte,
    o teu gozo no meu pesar,
    a tua graça no meu pecado,
    a tua riqueza na minha pobreza,
    a tua glória no meu vale.
   

Autor: Não informado.
Fonte: The Valley of Vision. Arthur Bennett (org.), The Banner of Truth Trust, 2005, p. xv.
Tradutor: Marcos Vasconcelos

www.mensreformata.blogspot.com

 

  © 2009 Mens Reformata

True Contemplation Blogger Template by M Shodiq Mustika