sábado, 16 de outubro de 2010

Voz de anjo, coração de demônio: hipócrita


Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! — Mateus 23.27
Os hipócritas são como pinturas em tela, são mais belas de mais longe. As manifestações dos hipócritas são garrafais; a sinceridade deles, rodapé; não têm igual no mundo. O hipócrita é como o vulcão Etna, com fogo na boca e neve no sopé: a boca fala ardentemente, mas os pés caminham friamente. O rouxinol tem a voz suave e um corpo irrisório; uma voz, nada mais que uma voz: assim são todos os hipócritas ....

Os hipócritas empenham-se para parecer santos, não para serem santos; mas os santos lutam para ser santos, mais do que para parecerem santos. O urubu paira no alto céu, mas seus olhos e mente estão na terra. Lá nas alturas, parece uma ave elegante, até que se precipita sobre a carniça. Oh, como exibe-se com elevadas declarações de fé em honra a Cristo o zelote fingido, como se fosse também um homem do céu: espera-se um pouquinho, lança-se a isca da glória ao modo dele, e logo o hipócrita se lançará sobre a carniça e será apanhado com o orgulho do autolouvor ....

Se você tem língua de anjo e coração de demônio, não é melhor do que um poste na encruzilhada, que se apodrece para dar direção aos outros; ou do que uma tocha, que depois de deleitar os outros com a luz, extingue-se em fumaça e fedor.



 
Autor: Thomas Adams (1583–1653)
Fonte: A Puritan at Heart
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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