sábado, 26 de novembro de 2011

Antissalmo 131

sábado, 8 de outubro de 2011

Os frutos do cristão

Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos. — João 15.8
A frutificação na prática cristã não só trará glória a Deus, mas apresentará a melhor prova, em nosso coração, de que somos verdadeiros discípulos de Cristo.

A certeza do nosso benefício em Cristo e da nossa consequente segurança eterna é um dos mais altos privilégios da fé. Sempre duvidar e sempre temer é uma ocupação deprimente. Em qualquer caso importante, nada é pior do que o suspense, e, mais do que tudo, no que tange à nossa alma. Quem quiser conhecer uma das melhores receitas para obter segurança deve se empenhar em estudar as palavras de Cristo postas agora diante de nós. Deve se esforçar para dar "muito fruto" em sua vida, hábito, temperamento, palavras e obras. Agindo assim, sentirá o "testemunho do Espírito" no coração e apresentará provas abundantes de ser um ramo vivo da Videira verdadeira. Encontrará na alma a evidência interna de que é filho de Deus, e encherá o mundo com indiscutíveis evidências externas. Não deixará espaço para a dúvida de que é um discípulo de Cristo.

Por que tantos crentes nominais sentem pouca consolação na fé que professam e seguem dominados pelo medo e pela dúvida no caminho para o céu? A resposta apresenta-se na sentença do Senhor que consideramos agora. Os homens se satisfazem com pequenas doses de cristianismo e poucos frutos do Espírito; não se esforçam para ser santos em todo seu proceder (1Pedro 1.15). Não é de admirar que desfrutem de pequenas doses de paz, tenham pouca esperança e quase não deixem evidências atrás de si. O mal está neles mesmos. Deus uniu a santidade com a felicidade, e aquilo que Deus uniu não devemos separar.

Pela graça de Deus, podemos fazer das leis de Cristo nossa regra de vida e mostrar diariamente nosso desejo de agradá-lo. Assim fazendo, nosso Mestre gracioso nos concederá a consciência permanente do seu favor e nos fará sentir o favor da sua face sobre nós, como o sol brilhante de um dia bonito. "A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança" (Salmos 25.14).




Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J.C.Ryle, Eric Russell, Christian Focus Pub., p. 80
Tradutor: Marcos Vasconcelos
www.mensreformata.blogspot.com

sábado, 1 de outubro de 2011

Permanecei em mim

Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. — João 15.4
Os frutos do Espírito são a única prova satisfatória de ser um cristão de verdade. O discípulo que permanece em Cristo, como o ramo ligado à videira, sempre produzirá frutos.

Quem não souber o significado da palavra "frutos", não precisa esperar muito pela resposta: Arrependimento diante de Deus, fé em nosso Senhor Jesus Cristo, santidade de vida e de conduta — são essas as atitudes que o Novo Testamento chama de "frutos". São as marcas diferenciadoras daquele que é ramo vivo da videira. Onde há carência dessas marcas é inútil falar em graça e vida espiritual "dormentes". Se não há fruto, não há vida. Aquele em que faltam essas coisas, mesmo vivo, está morto (1Timóteo 5.6).

A graça verdadeira, não podemos esquecer, nunca é inativa. Jamais cochila, não dorme em tempo algum. É inútil supor que somos membros vivos de Cristo, se o exemplo de Cristo não pode ser visto em nosso caráter e vida. Os “frutos” são a única evidência satisfatória da união salvadora entre Cristo e nossa alma. Onde não é possível ver o fruto do Espírito, não existe nenhuma religião vital no coração. O Espírito de Vida em Cristo Jesus sempre se dará a conhecer na conduta diária daqueles em quem ele habita. O Mestre mesmo afirmou: "cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto" (Lucas 6.44).

Do modo como o vinhateiro poda e apara os ramos da vide frutífera, para fazê-la ainda mais frutífera, assim também Deus purifica e santifica os crentes pelas circunstâncias da vida nas quais os põe. A provação, falando sem rodeios, é o instrumento com o qual nosso Pai do céu torna os crentes mais santos. Por meio da provação, Deus evoca a graça passiva deles e prova se conseguirão suportar e cumprir a sua vontade. Pela provação, ele os faz se desapegarem do mundo, os traz para perto de Cristo, os impele à Bíblia e à oração, os faz enxergar o próprio coração, e os torna humildes. Esse é o processo pelo qual ele os "purifica" e os faz mais frutíferos.

 


Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J.C.Ryle, Eric Russell, Christian Focus Pub., p. 127
Tradutor: Marcos Vasconcelos
www.mensreformata.blogspot.com

sábado, 4 de junho de 2011

Rendição Incondicional

Buscai o SENHOR e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença. — (Salmos 105.4)
Buscai o SENHOR, vós todos os mansos da terra, que cumpris o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura, lograreis esconder-vos no dia da ira do SENHOR. — (Sofonias 2.3)

     Senhor, Deus de amor e de graça,
                move meu coração ao encontro do teu,
                minha vontade na direção da tua.
    Que eu seja uma cidade de muros derruídos:
                subjugada, rendida à tua vontade e ao teu domínio,
                entregue à tua doce conquista e soberania.
    Que meu anseio maior seja perder-me para mim mesmo
                e achar-me integralmente em ti.
    Dá que eu ame amar a tua Palavra,
                que nela esteja o meu deleite em todo o tempo;
                não permitas que a minha atenção se desvie
                perversamente para as luzes dos engodos mundanos.
    Dá que eu ame buscar a tua face em todo tempo,
                não pelas bênçãos que podes me conceder,
                mas tão somente por quem tu és.
    Dá que eu anseie por ti
                mais do que pelo alimento,
                mais do que pelo ar indispensável,
                mais do que pela própria vida.
    Tu és o meu Deus fiel, infalível,
                o único em quem confio,
                a quem quero amar mais do que tudo.
    Que tu sejas meu primeiro pensamento ao acordar
                e o último ao dormir;
                que meu sonho seja cumprir tua vontade e andar retamente
                diante de ti, dos meus irmãos e do mundo,
                sem a mínima hipocrisia.
    Perdoa meus pecados.
    Dirige meus passos.
    Toma posse de meu corpo, mente e coração,
                para a tua glória exclusiva,
                só para a tua exaltação
                e salvação da minha alma do lago de enxofre ardente.
    Em nome de Jesus Cristo, rogo-te.
    Amém.

 



Fonte: Blog Mens Reformata 

sábado, 21 de maio de 2011

A Luta do Cristão

Cristão luta com Apolion no
Vale da Sombra da Morte
(O Peregrino, John Bunyan)
Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. — Efésios 6.12
Conheceis a admoestação que S. Paulo nos fez quanto as isso, ou seja, que a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os ardis ocultos do nosso inimigo espiritual. Assim, não desperdicemos as nossas energias com os homens, antes nos posicionemos contra Satanás para resistir a todas as suas maquinações contra nós, já que, sem dúvida nenhuma, foi ele o autor do mal que vos acometeu, para impedir o progresso do evangelho e, até mesmo, que tudo fosse transtornado. Portanto, Senhor, esquecendo as faltas e perdoando aqueles a quem considerais vossos inimigos, aplicai toda a vossa mente em repelir a malícia de Satanás, que dessa maneira os envolve na destruição deles mesmos, ao buscarem a vossa ruína. Tal magnanimidade não só será agradável a Deus, mas vos tornará no mais amado dentre os homens. E não duvido que tendes por isso tanta consideração quanto devíeis.

No entanto, Senhor, deveis também considerar que se foi do agrado de Deus humilhar-vos por pouco tempo, não o foi sem motivo. Pois, embora sejais inocente com respeito aos homens, sabeis que diante do grande Juiz Celestial não há nenhum vivente que esteja isento de culpa. Ora, os santos têm honrado o cajado de Deus desta maneira: submetendo-lhe o pescoço e curvando a cabeça até o chão, sob a sua disciplina. Davi andou retamente, mas ele mesmo confessou que lhe fora bom ser humilhado pela mão de Deus. Por isso, logo que provarmos alguma punição, seja qual for, o primeiro passo deveria ser nos recolhermos em nós mesmos e examinarmos bem a nossa vida, para apreendermos aquelas bênçãos que nos têm sido ocultadas, pois algumas vezes a prosperidade demasiada obscurece-nos a vista, para que não percebamos por que Deus nos repreende. É no mínimo razoável que lhe concedamos ao menos tanta honra quanto concedemos ao médico, pois cabe a ele a cura de nossas doenças internas, as quais desconhecemos, e a prescrição do tratamento, não segundo o nosso gosto, mas conforme ele sabe e julga ser apropriado.

[Carta de Calvino ao Protetor Somerset, após sua primeira desgraça. Posto em liberdade em 6 de fevereiro de 1550 pelo favor do rei, seu sobrinho, reassumiu o posto no Conselho Privado, mas sem o título e a dignidade de protetor.]


 

Autor: João Calvino (1509–1564)
Fonte: Thyne is my heart, Devotional readings from John Calvin, RHB, 2006, (org. J. H. Kromminga), nº 151.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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sábado, 14 de maio de 2011

Religião frutífera

Outra [semente], afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um. Dizendo isto, clamou [Jesus]: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. — Lucas 8.8
Não devemos ficar satisfeitos com a religião que não produz frutos em nossa vida. Nosso Senhor nos diz que o coração dos que ouvem corretamente o evangelho é como a terra fértil. A semente do evangelho planta-se profundamente nas suas vontades e produz resultados concretos na fé e na prática dessas pessoas. Elas não só ouvem com prazer, mas também agem com decisão. Arrependem-se. Creem. Obedecem.

Tenhamos sempre em mente que essa é a única religião que salva as almas. A confissão exterior do cristianismo e o uso formal de ordenanças e sacramentos eclesiásticos jamais deram ao homem boa esperança na vida, paz na morte nem descanso no mundo do outro lado da sepultura. Se em nosso coração e vida não houver os frutos do Espírito, o evangelho nos foi anunciado em vão. Somente quem produz frutos assim será achado à direita de Cristo no dia do seu aparecimento.

Deixemos a parábola com um profundo sentimento de perigo e de responsabilidade da parte de todos os ouvintes do evangelho. Há quatro maneiras possíveis de a ouvirmos, mas somente uma é a certa; há três tipos de ouvintes cuja alma corre perigo iminente. Quantos desses três tipos podem ser encontrados em toda congregação! Há somente uma classe de ouvintes que são justos à vista de Deus. E nós, o que somos? Será que pertencemos a essa classe?

Finalmente, deixemos a parábola com a solene consciência do dever que todo ministro fiel tem de identificar tais classes na sua congregação e de dar a cada uma delas a porção apropriada. O clérigo que sobe ao púlpito todo domingo e prega à sua congregação pensando que todos ali estão indo para o céu, com certeza não está cumprindo o seu dever com Deus nem com o homem. A sua pregação contradiz redondamente a parábola do semeador.



Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J.C.Ryle, Eric Russell, Christian Focus Pub., p. 348
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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sábado, 30 de abril de 2011

O perigo dos anseios mundanos

Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. — Lucas 8.7
Nosso Senhor nos adverte que o coração de muitos ouvintes da Palavra é como o terreno espinhoso. A semente da Palavra semeada nele fica sufocada pela multidão dos outros cuidados que ocupam suas afeições. 

Esses ouvintes não se opõem às doutrinas e exigências do evangelho; até desejam crer nelas e obedecê-las. Todavia, permitem que as coisas terrenas tomem posse da mente, não deixando nenhum espaço à Palavra de Deus, para que ela faça seu trabalho. Disso resulta que, não importa quantos sermões ouçam, os tais não parecem melhorar em nada. No seu íntimo, o processo de asfixiar a verdade avança semana após outra. Não produzem frutos de aperfeiçoamento.

Os cuidados desta vida estão entre os maiores perigos que estorvam o caminho do crente. O dinheiro, os prazeres, os empreendimentos terrenos do dia a dia, são incontáveis ciladas armadas para capturarem almas. Milhares de coisas inocentes em si mesmas, se dominadas pelos excessos, são pouco menos do que veneno para a alma e cooperam com o inferno.

O pecado descarado não é a única transgressão que arruína as almas. No seio de nossas famílias e nas solicitudes de nossas vocações lícitas temos de estar em guarda. Se não vigiarmos e orarmos, esses interesses mundanos podem nos roubar o céu e sufocar cada sermão que ouvimos. Poderemos viver e morrer como ouvintes cujo coração é terreno espinhoso.




Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus, p.347
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cuidado com os sentimentos

Outra [semente] caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. — Lucas 8.6
Tome cuidado para não depositar a confiança em meras impressões ocasionais ao ouvir a Palavra. Nosso Senhor nos adverte que o coração de certos ouvintes se assemelha ao solo rochoso. A semente da Palavra brota logo que a ouvem e produz uma safra de impressões alegres e emoções agradáveis.

Mas essas sensações, infelizmente, estão apenas na superfície. Não se processa na alma nenhuma obra profunda e permanente. Assim, tão logo
esses ouvintes comecem a sentir o calor ardente da tentação e da perseguição, murcha e resseca a pouca fé que pareciam ter alcançado.

Não há dúvida que os sentimentos têm papel importantíssimo em nosso cristianismo pessoal. Sem eles não pode haver fé salvadora. Esperança, alegria, paz, confiança, resignação, amor, temor são emoções que precisam ser sentidas, se existirem de fato. Mas não se deve esquecer jamais que há sentimentos religiosos espúrios e falsos que não brotam senão do entusiasmo carnal.

É muito possível sentir prazer desmedido ou ficar profundamente alarmado diante da pregação do evangelho e ainda assim faltar totalmente a graça de Deus. As lágrimas de alguns ouvintes de sermões, e o deleite extravagante de outros, não são marcas confiáveis de conversão.

Podemos ser admiradores fervorosos dos pregadores favoritos, e mesmo assim não passarde ouvintes cujo coração é solo pedregoso. Nada deveria nos contentar, exceto a obra profunda, humilhadora e automortificadora do Espírito Santo e a nossa sincera união com Cristo.



Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J.C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus Pub.,p. 346
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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sábado, 16 de abril de 2011

Acautele-se contra o diabo

Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram. — Lucas 8.5
É preciso estar alertas contra o diabo quando ouvirmos a Palavra. Nosso Senhor nos adverte que o coração de alguns ouvintes é como a "beira do caminho". A semente do evangelho é arrancada pelo diabo quase assim que é semeada. Ela não lhes penetra a consciência. Não lhes causa a menor impressão na mente.

O diabo, sem dúvida, anda por toda parte. Esse espírito malicioso esforça-se incansavelmente para nos causar dano. Está sempre atento às nossas hesitações e buscando ocasião para destruir nossa alma. Mas talvez não haja lugar onde o diabo seja mais ativo do que na congregação dos ouvintes do evangelho. Não há outro lugar no qual ele trabalhe tão arduamente para estancar o progresso do bem e impedir que homens e mulheres sejam salvos. Dele procedem as divagações do pensamentos as imaginações fortuitas, a apatia mental e as recordações aborrecidas, os olhos sonolentos e a inquietação nervosa, os ouvidos enfastiados e a falta de atenção.

Em todos esses obstáculos, a mão de Satanás tem grande participação. As pessoas perguntam-se de onde procedem essas coisas e estranham por acharem os sermões tão maçantes e por quase não se lembrarem deles! Esquecem-se da Parábola do Semeador. Esquecem-se do diabo.

É preciso cuidar para não ser ouvintes "à beira do caminho". Estejamos precavidos contra o diabo. Sempre o acharemos na igreja. Ele jamais fica longe das ordenanças públicas. Lembremo-nos disso e estejamos em guarda. Calor, frio, seca, umidade, tempo chuvoso, aguaceiro, neve, são intempéries sempre temidas pelos que vão à igreja, e usadas como razão para deixarem de ir ao culto. Mas há um inimigo ao qual deveriam temer mais do que todas essas coisas juntas: Satanás.


 
Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J.C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus Pub.,p. 345
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os "brasileirinhos" abortados no Realengo

Ainda comovido pela ressaca da chacina de ontem (7/4/2011) no bairro do Realengo (RJ) – quando pelo menos 12 crianças foram assassinadas friamente por um atirador de 23 anos de idade – não me saiu da mente o testemunho da aluna Jade Ramos (12), escapada da tragédia:

Ele ia atirando no pé das crianças pra não subirem, ia mandando as crianças virarem pra parede que ele ia atirar nelas. Aí as crianças falavam "não atira em mim, não atira em mim, por favor, por favor moço". Aí ele ia lá e atirava na cabeça das crianças.
Tudo isso é muito triste e muito grave. A sensação de impotência adoece a nossa alma. Mas longe das luzes midiáticas e da comoção do momento há coisa muito pior acontecendo diariamente pelo Brasil a fora.

Crianças ainda mais indefesas e incapazes sequer de suplicarem por suas vidas – "não atira em mim, não atira em mim, por favor, por favor moço" – são levadas ao matadouro pelos próprios pais e assassinadas silenciosamente pelos profissionais do aborto que, não com um mero revólver carregado até a boca, mas com mãos assépticas e técnicas cirúrgicas precisas (sucção, dilatação e evacuação, dilação e curetagem, injeção de líquido amniótico com soluções cáusticas, histerotomia), tiram-lhes impiedosamente a vida.

Se o aborto provocado não é crime, por que então só ficar comovidos e emocionados com o frio assassinato desses outros  "brasileirinhos"?

Pense nisso, pois nenhum desses assassinos – o atirador do Realengo ou os usuários do aborto – ficará impune aos olhos daquele que disse "Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus" (Mateus 19.14).




Marcos Vasconcelos
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segunda-feira, 7 de março de 2011

Nossa religião sanguinária


Disse mais o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguém pecar por ignorância contra qualquer dos mandamentos do SENHOR, por fazer contra algum deles o que não se deve fazer, se o sacerdote ungido pecar para escândalo do povo, oferecerá pelo seu pecado um novilho sem defeito ao SENHOR, como oferta pelo pecado. Trará o novilho à porta da tenda da congregação, perante o SENHOR; porá a mão sobre a cabeça do novilho e o imolará perante o SENHOR. Então, o sacerdote ungido tomará do sangue do novilho e o trará à tenda da congregação; e, molhando o dedo no sangue, aspergirá dele sete vezes perante o SENHOR, diante do véu do santuário. Também daquele sangue porá o sacerdote sobre os chifres do altar do incenso aromático, perante o SENHOR, altar que está na tenda da congregação; e todo o restante do sangue do novilho derramará à base do altar do holocausto, que está à porta da tenda da congregação. Toda a gordura do novilho da expiação tirará dele: a gordura que cobre as entranhas e toda a gordura que está sobre as entranhas, como também os dois rins, a gordura que está sobre eles e junto aos lombos; e o redenho sobre o fígado com os rins, tirá-los-á como se tiram os do novilho do sacrifício pacífico; e o sacerdote os queimará sobre o altar do holocausto. – Levítico 4.1-10
Tente imaginar a cena. Dia após dia. Semana após semana. Pecador após pecador. Touros, bodes, cordeiros, pombos são apresentados diante do altar em oferta a Deus como expiação pelo pecado. As prescrições para a imolação eram precisas. Instruções detalhadas para a remoção dos órgãos e da gordura. Com as mãos. O dia inteiro. Abrir os corpos dos animais. Remover os órgãos. Separar a gordura. Encharcado de sangue. Aspergir o sangue sobre o altar. Esfregá-lo nas pontas do altar. Vê-lo escorrer para dentro da bacia do altar. O tempo inteiro, o odor constante de carne queimando, reduzida a cinzas.

Esse é o sistema sacrificial do Antigo Testamento. É sanguinário.

Acaso imaginamos que o cristianismo seja menos sanguinário? Supomos que o cumprimento desses modelos e profecias resultem numa religião mais higiênica, asséptica e limpa? Se presumimos assim, perdemos de vista realidades importantes.

Não foi a nossa salvação comprada com sangue? Nossas vidas não são sacrifícios vivos? O dia inteiro, não somos contados como ovelhas para o matadouro? O nosso ajuntamento não é um clube social, mas um matadouro. A vida de vocês não é seca e limpa; ela tem de ser manchada de sangue.

E quanto ao seu pastor? Será que nosso ministério contínuo não exige sangue? As ministrações diárias de vocês envolvem menos sangue do que o sangue no qual os sacerdotes do Antigo Testamento metiam a mão? Se for assim, vocês estão agindo errado. Será que os membros do nosso povo são menos quebrados pelo pecado? Será que precisam de menos arrependimento? Será que podem deixar de lado a confissão e esquecer de buscar uma boa consciência? O que farão com os próprios pecados? Não os fazemos retornar àquela fonte preciosa, cheia do sangue exaurido das veias de Emanuel? Não continuamos encharcados de sangue e com nossas mãos de conselho esfregamos o sangue, não no altar, mas em nosso povo? E não é ele purificado de toda injustiça, ao ser ensinado a confessar, arrepender-se e retornar à fé e ao Deus justo que se apraz à vista do sangue do seu Filho? Lembramos ao nosso povo que a expiação foi consumada; o que é o mesmo que lembrá-lo do sangue, do sangue de Jesus.

A nossa religião é uma religião sanguinária.



Autor: Thabiti Anyabwile
Fonte: The Gospel Coalition
Tradutor: Marcos Vasconcelos

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Logo de Manhã

Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma – Salmos 143.8
Assim que acordar, deixe seu coração se elevar a Deus com gratidão e reconhecimento pela misericórdia divina para com você. Pois ele é quem dá o sono aos seus amados e quem guarda a sua alma e o seu corpo enquanto você dorme (Salmos 127.2). O Senhor renova as suas misericórdias cada manhã (Lamentações 3.22-23). Enquanto dorme, você está como que desapropriado de si mesmo e de tudo o mais. Ora, foi Deus quem lhe guardou e a tudo quanto você tem e lhos restaurou novamente, com muitas novas misericórdias quando você acordou. Levante-se cedo de manhã (caso não esteja impedido por alguma necessidade) seguindo o exemplo do nosso Salvador Jesus Cristo (João 8.2) e da mulher virtuosa em Provérbios (31.15). Isso, leva usualmente à saúde do corpo e à prosperidade, tanto do seu estado temporal como do espiritual. Assim, você terá o dia inteiro diante de si e os melhores e mais adequados momentos para os exercícios da religião e das obras da sua vocação. No intervalo entre acordar-se e levantar-se (se outros pensamentos mais doces não se intrometerem) ser-lhe-á bastante proveitoso meditar em alguns destes: Devo acordar-me do sono do pecado para a retidão (Efésios 5.14), assim como acordo do sono do corpo para o labor do meu chamado. A noite passou e o dia está à diante de mim, devo, portanto, lançar fora as obras das trevas e revestir-me das armas da luz (Romanos 13.11-13). Devo andar dignamente durante o dia. Devo levantar-me e andar na luz da graça e do conhecimento do mesmo modo que na luz do sol. Pense também no seu despertar do sono da morte e da sepultura ao som da última trombeta e reflita igualmente na sua bem-aventurada ressurreição para a glória, no último dia. Era esse um dos ternos pensamentos de Davi (falando a Deus): "quando acordar, eu me satisfarei com a tua semelhança" (Salmos 17.15).



Autor: Henry Scudder (c. 1585~1652)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus Pub., p. 57
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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sábado, 5 de fevereiro de 2011

O Segredo da Perseverança na Fé

Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos – Lucas 22.32
Lemos acima o que o nosso Senhor disse a Pedro: "roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça". Foi por causa da intercessão de Cristo que Pedro não caiu totalmente.

A existência contínua da graça no coração do crente é um milagre grandioso e permanente. Seus inimigos são tão poderosos, e a sua força tão pequenina, o mundo é tão cheio de ciladas, e o seu coração tão fraco, que à primeira vista lhe parece impossível alcançar o céu. A passagem diante de nós explica essa segurança: ele tem à direita de Deus um amigo poderoso que vive sempre para interceder em seu favor; atendendo todas as suas necessidades diárias e obtendo suprimentos diários de misericórdia e graça para a sua alma. A graça do crente nunca se esgota, pois Cristo vive sempre para interceder por ele (Hebreus 7.25).

Se formos cristãos de verdade descobriremos que é essencial à nossa consolação na fé entender com clareza o ofício sacerdotal de Cristo e a sua intercessão. Cristo vive e, por isso, a nossa fé não falhará. Guardemo-nos de considerá-lo apenas como alguém que morreu por nós; jamais nos esqueçamos que ele vive para sempre.

O apóstolo Paulo manda que nos lembremos especialmente que ele ressuscitou, está à direita de Deus e também intercede por nós (Romanos 8.34). A obra que ele faz pelo seu povo ainda não acabou. Jesus ainda aparece na presença de Deus em favor deles e faz pela alma deles o mesmo que fez pela de Pedro. A vida presente do Salvador em favor de seu povo é tão importante quanto a sua morte na cruz dois mil anos atrás. Cristo vive, e por isso os cristãos verdadeiros também viverão (João 14.19).


 
Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus Pub., p. 221
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Espírito em oração

Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza – Romanos 8.26
Enquanto estamos neste mundo, esperando e aguardando o que não vemos, devemos estar em oração. Esperança implica desejo, e desejo, quando apresentado a Deus, é oração; nós gememos. Eis a nossa fraqueza na oração: "não sabemos orar como convém". Quanto à essência das nossas súplicas, não sabemos o que pedir. Somos juízes incapazes de julgar nossa própria condição. "Pois quem sabe o que é bom para o homem durante os poucos dias da sua vida de vaidade?" (Eclesiastes 6.12). Somos míopes e demasiadamente inclinados a favorecer a carne e tendentes a separar fins e meios. "Não sabeis o que pedis" (Mateus 20.22). Somos como crianças tolas prontas a chorar pela fruta antes que esteja madura e boa para ser comida. Quanto ao modo, não sabemos como devemos orar. Não basta fazermos o que é bom, temos de fazê-lo bem, pedir adequadamente. Nesse ponto quase sempre saímos perdendo – as graças são débeis; os sentimentos, frios; a mente distraída; e nem sempre é fácil encontrar ânimo para orar (2Samuel 7.27). O apóstolo fala disso na primeira pessoa: "não sabemos". Ele se inclui entre os demais. Todos os santos se queixam de tolices, fraquezas e distrações na oração. Se um santo tão extraordinário como o próprio Paulo não sabia pelo que orar, muito menos razão temos nós para levarmos adiante esse dever na nossa própria força! A assistência que o Espírito nos dá nisso é tal que ele nos socorre em nossas fraquezas, quer dizer, especialmente as relativas à oração, as que nos assaltam com facilidade nesse dever. O Espírito nos auxilia a combatê-las.

[Romanos 8.26-28]



Autor: Matthew Henry (1662–1714)
Fonte: Daily Readings, Randall J. Perderson (org.), Chistian Focus Publications, 2009, “January 25”.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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sábado, 22 de janeiro de 2011

Consolo na oração

Quando meu espírito esmorece dentro de mim, tu sabes a vereda que devo  seguir - Salmos 142.3 (A21)
Por mais angustiosa ou perigosa que seja a circunstância, a fé, mediante a oração, sempre recebe as consolações de Deus. Somos inclinados a ver com exagero as nossas tribulações, rendendo-nos totalmente ao seu poder; atitudes que de nada nos valem. Por outro lado, quando as apresentamos a Deus, lançamos as nossas preocupações sobre aquele que cuida de nós, ficando assim aliviados desse fardo. Não devemos nos permitir a mínima queixa, quer a nós mesmos ou a outrem, que possamos apresentar a Deus. Quando nosso espírito estiver esmagado pela aflição, e tomado pelo desânimo; quando, ao andarmos nas veredas do Senhor, virmos as ciladas armadas contra nós por todos os lados, devemos refletir, plenamente consolados, que o Senhor conhece nosso caminho. Aqueles que, com sinceridade, têm o Senhor por seu Deus, têm nele tudo quanto lhes basta como Refúgio e Herança; tudo mais é refúgio de mentiras e herança sem valor nenhum. Foi numa situação assim que Davi orou fervorosamente a Deus. Do ponto de vista espiritual, a alma dos crentes é sempre oprimida por dúvidas e temores. E, por isso, para o bem deles, devem rogar a Deus que os liberte para que possam andar no caminho dos seus mandamentos. Assim, o Senhor livrou Davi de seus poderosos perseguidores tratando-o com generosidade; assim, ele fez subir o Redentor crucificado ao trono de glória e o tornou Cabeça de todas as coisas para a igreja; assim, o pecador convicto da sua perdição clama por socorro e é levado a louvar a Deus na companhia do seu povo redimido; e assim, todos os crentes serão finalmente libertados deste mundo maligno, do pecado e da morte para louvarem seu Salvador para sempre.

 

Autor: Matthew Henry (1662–1714)
Fonte: Daily Readings, Randall J. Perderson (org.), Chistian Focus Publications, 2009, "August 4".
Tradutor: Marcos Vasconcelos
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