sábado, 30 de abril de 2011

O perigo dos anseios mundanos

Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. — Lucas 8.7
Nosso Senhor nos adverte que o coração de muitos ouvintes da Palavra é como o terreno espinhoso. A semente da Palavra semeada nele fica sufocada pela multidão dos outros cuidados que ocupam suas afeições. 

Esses ouvintes não se opõem às doutrinas e exigências do evangelho; até desejam crer nelas e obedecê-las. Todavia, permitem que as coisas terrenas tomem posse da mente, não deixando nenhum espaço à Palavra de Deus, para que ela faça seu trabalho. Disso resulta que, não importa quantos sermões ouçam, os tais não parecem melhorar em nada. No seu íntimo, o processo de asfixiar a verdade avança semana após outra. Não produzem frutos de aperfeiçoamento.

Os cuidados desta vida estão entre os maiores perigos que estorvam o caminho do crente. O dinheiro, os prazeres, os empreendimentos terrenos do dia a dia, são incontáveis ciladas armadas para capturarem almas. Milhares de coisas inocentes em si mesmas, se dominadas pelos excessos, são pouco menos do que veneno para a alma e cooperam com o inferno.

O pecado descarado não é a única transgressão que arruína as almas. No seio de nossas famílias e nas solicitudes de nossas vocações lícitas temos de estar em guarda. Se não vigiarmos e orarmos, esses interesses mundanos podem nos roubar o céu e sufocar cada sermão que ouvimos. Poderemos viver e morrer como ouvintes cujo coração é terreno espinhoso.




Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus, p.347
Tradutor: Marcos Vasconcelos
www.mensreformata.blogspot.com


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cuidado com os sentimentos

Outra [semente] caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. — Lucas 8.6
Tome cuidado para não depositar a confiança em meras impressões ocasionais ao ouvir a Palavra. Nosso Senhor nos adverte que o coração de certos ouvintes se assemelha ao solo rochoso. A semente da Palavra brota logo que a ouvem e produz uma safra de impressões alegres e emoções agradáveis.

Mas essas sensações, infelizmente, estão apenas na superfície. Não se processa na alma nenhuma obra profunda e permanente. Assim, tão logo
esses ouvintes comecem a sentir o calor ardente da tentação e da perseguição, murcha e resseca a pouca fé que pareciam ter alcançado.

Não há dúvida que os sentimentos têm papel importantíssimo em nosso cristianismo pessoal. Sem eles não pode haver fé salvadora. Esperança, alegria, paz, confiança, resignação, amor, temor são emoções que precisam ser sentidas, se existirem de fato. Mas não se deve esquecer jamais que há sentimentos religiosos espúrios e falsos que não brotam senão do entusiasmo carnal.

É muito possível sentir prazer desmedido ou ficar profundamente alarmado diante da pregação do evangelho e ainda assim faltar totalmente a graça de Deus. As lágrimas de alguns ouvintes de sermões, e o deleite extravagante de outros, não são marcas confiáveis de conversão.

Podemos ser admiradores fervorosos dos pregadores favoritos, e mesmo assim não passarde ouvintes cujo coração é solo pedregoso. Nada deveria nos contentar, exceto a obra profunda, humilhadora e automortificadora do Espírito Santo e a nossa sincera união com Cristo.



Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J.C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus Pub.,p. 346
Tradutor: Marcos Vasconcelos
www.mensreformata.blogspot.com


sábado, 16 de abril de 2011

Acautele-se contra o diabo

Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram. — Lucas 8.5
É preciso estar alertas contra o diabo quando ouvirmos a Palavra. Nosso Senhor nos adverte que o coração de alguns ouvintes é como a "beira do caminho". A semente do evangelho é arrancada pelo diabo quase assim que é semeada. Ela não lhes penetra a consciência. Não lhes causa a menor impressão na mente.

O diabo, sem dúvida, anda por toda parte. Esse espírito malicioso esforça-se incansavelmente para nos causar dano. Está sempre atento às nossas hesitações e buscando ocasião para destruir nossa alma. Mas talvez não haja lugar onde o diabo seja mais ativo do que na congregação dos ouvintes do evangelho. Não há outro lugar no qual ele trabalhe tão arduamente para estancar o progresso do bem e impedir que homens e mulheres sejam salvos. Dele procedem as divagações do pensamentos as imaginações fortuitas, a apatia mental e as recordações aborrecidas, os olhos sonolentos e a inquietação nervosa, os ouvidos enfastiados e a falta de atenção.

Em todos esses obstáculos, a mão de Satanás tem grande participação. As pessoas perguntam-se de onde procedem essas coisas e estranham por acharem os sermões tão maçantes e por quase não se lembrarem deles! Esquecem-se da Parábola do Semeador. Esquecem-se do diabo.

É preciso cuidar para não ser ouvintes "à beira do caminho". Estejamos precavidos contra o diabo. Sempre o acharemos na igreja. Ele jamais fica longe das ordenanças públicas. Lembremo-nos disso e estejamos em guarda. Calor, frio, seca, umidade, tempo chuvoso, aguaceiro, neve, são intempéries sempre temidas pelos que vão à igreja, e usadas como razão para deixarem de ir ao culto. Mas há um inimigo ao qual deveriam temer mais do que todas essas coisas juntas: Satanás.


 
Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J.C. Ryle, Eric Russell, Christian Focus Pub.,p. 345
Tradutor: Marcos Vasconcelos
www.mensreformata.blogspot.com

Lea la traducción al español en el blog de Oscar Tapia "Tras sus pasos"

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os "brasileirinhos" abortados no Realengo

Ainda comovido pela ressaca da chacina de ontem (7/4/2011) no bairro do Realengo (RJ) – quando pelo menos 12 crianças foram assassinadas friamente por um atirador de 23 anos de idade – não me saiu da mente o testemunho da aluna Jade Ramos (12), escapada da tragédia:

Ele ia atirando no pé das crianças pra não subirem, ia mandando as crianças virarem pra parede que ele ia atirar nelas. Aí as crianças falavam "não atira em mim, não atira em mim, por favor, por favor moço". Aí ele ia lá e atirava na cabeça das crianças.
Tudo isso é muito triste e muito grave. A sensação de impotência adoece a nossa alma. Mas longe das luzes midiáticas e da comoção do momento há coisa muito pior acontecendo diariamente pelo Brasil a fora.

Crianças ainda mais indefesas e incapazes sequer de suplicarem por suas vidas – "não atira em mim, não atira em mim, por favor, por favor moço" – são levadas ao matadouro pelos próprios pais e assassinadas silenciosamente pelos profissionais do aborto que, não com um mero revólver carregado até a boca, mas com mãos assépticas e técnicas cirúrgicas precisas (sucção, dilatação e evacuação, dilação e curetagem, injeção de líquido amniótico com soluções cáusticas, histerotomia), tiram-lhes impiedosamente a vida.

Se o aborto provocado não é crime, por que então só ficar comovidos e emocionados com o frio assassinato desses outros  "brasileirinhos"?

Pense nisso, pois nenhum desses assassinos – o atirador do Realengo ou os usuários do aborto – ficará impune aos olhos daquele que disse "Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus" (Mateus 19.14).




Marcos Vasconcelos
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